Existem viagens que são feitas para conhecer destinos específicos. Outras são feitas para aproveitar o caminho. Este roteiro de carro pelos Balcãs foi claramente do segundo tipo. Durante 20 dias percorri mais de 2000 km entre Montenegro, Albânia, Macedônia do Norte e Grécia dirigindo por algumas das estradas mais bonitas que já encontrei na Europa. Foram muitos quilômetros ao volante, cruzando fronteiras, montanhas, vilarejos históricos e praias de águas incrivelmente azuis, mas também momentos de desacelerar e aproveitar alguns lugares com mais calma.

A viagem começou em Montenegro e terminou depois de uma grande volta pela Albânia, incluindo uma escapada para Ohrid, na Macedônia do Norte, e alguns dias de descanso na ilha grega de Corfú. O carro deu liberdade para descobrir paisagens pouco conhecidas e fazer paradas espontâneas, algo que acabou se tornando uma das melhores partes da experiência.

A ideia inicial da viagem era conhecer principalmente a Albânia e aproveitar para rever a Grécia já que a ilha de Corfu fica bem próxima. Ao fazer o planejamento da viagem, percebi que poderia dar uma esticadinha para conhecer tambem Montenegro e a Macedônia do Norte. Apesar de ter passado 1 noite na ida e outra na volta em Istambul, esse artigo não tem intenção de falar dessa cidade já que tenho outros artigos escritos dela. O foco nesse artigo aqui é o meu roteiro de carro pelos Balcãs que detalhei pra vocês abaixo com várias dicas para você se inspirar. Então bora conferir?
Dicas de locação do carro
Aluguei um carro no aeroporto em Tivat, perto de Kotor, e devolvi no mesmo local ao terminar meu roteiro de carro pelos Balcãs. Podia ter devolvido em Corfu mas o preço aumentava muito, entao decidi encarar a estrada de volta. Aluguei com a empresa U-save através da plataforma RentCars. Consegui um bom custo de locação, reservando com bastante antecedência, mas me entregaram um carro bastante arranhado e sujo por fora (alta temporada foi a desculpa que me deram). O preço por pegar uma locadora de segunda linha é mais barato mas as vezes os carros não são novos e nem sempre perfeitos. Revise as expectativas e tudo bem.

Sempre faço o seguro completo do carro pois não quero ter preocupação. Importante fotografar e filmar o carro todo (inclusive pneus e calotas) na hora de receber o carro. Recomendo pegar um carro pequeno porque muitas estradas são estreitas e algumas sem acostamento. Dirija com cautela nas estradas para a Riviera Albanesa pois há muitas curvas. Fui parada na Albânia por policiais por excesso de velocidade (me pegaram no radar). Depois de uma rápida conversa e pedido de desculpas, fui liberada sem problemas. Graças a Deus, nem pensar em ter um problema no roteiro de carro pelos Balcãs…
Muito importante sair com toda a documentação do carro para fazer as fronteiras. Verifique se você recebeu um “green card” que é solicitado nas fronteiras. Ah, outra coisa, a empresa ficou de me enviar o contrato por email, mas eu não recebi. E isso causou um leve stress na fronteira da Albânia com a Grécia, quando me solicitaram o contrato e eu não tinha apara apresentar. Por sorte não encrencaram muito com isso.


O bom de tudo isso que eu ganhei essa experiencia e, pensando bem, hoje teria feito um pouco diferente. Se quiser minha ajuda para desenhar seu roteiro de carro pelos Balcãs de forma personalizada (por um preço super justo), entre em contato comigo pelo Instagram Viagens e Outras Histórias.
Distâncias percorridas
O tempo abaixo é médio, sempre dependerá da hora e do transito. Se precisar cruzar a fronteira de um país para o outro provavelmente o tempo aumentará. Eu demorei em média mais de 1 hora em cada fronteira, em longas e lentas filas de carros.

- Kotor x Tirana – 200 km, 3,5h
- Tirana x Ohrid – 130km, 2,2h
- Ohrid x Berat – 156km, 3h
- Berat x Dhermi – 160km, 2,15h
- Dhermi x Ksamil – 80km, 2h
- Ksamil x Sarande – 15km, 25min
- Sarande x Gjirokaster – 55km, 1h
- Gjirokaster x Shkoder – 290km, 4,5h
- Shkoder x Kotor – 110km, 2,5h
Meu roteiro de carro pelos Balcãs
Não há voos para a Albânia ou Montenegro direto do Brasil. Escolhi passar Istambul e de lá pegar uma conexão para Montenegro. Na época da minha pesquisa, encontrei bons preços com a Turkish Airlines e com a mesma companhia voei para o aeroporto de Tivat em Montenegro (o mais próximo de Kotor). Dividi meu roteiro de carro pelos Balcãs da seguinte maneira:
- 1 noite em Istambul na chegada
- 2 noites em Kotor
- 1 noite em Budva
- 1 noite em Tirana, capital da Albânia
- 1 noite em Ohrid, Macedônia do Norte
- 1 noite em Berat
- 3 noites em Dhermi
- 2 noites em Ksamil
- 5 noites em Corfu, cruzando para a Grécia
- 1 noite em GjiroKaster, voltando para a Albânia
- 1 noite em Shkoder
- 1 noite em Istambul na volta
Kotor, Perast e Budva
Minha primeira base foi Kotor, em Montenegro, onde permaneci duas noites. Cercada por montanhas dramáticas e pelas águas tranquilas da Baía de Kotor, a cidade parece saída de um cenário medieval. Caminhar pelas ruelas de pedra do centro histórico, também Patrimônio da Humanidade da UNESCO, e observar os navios entrando na baía foi uma introdução perfeita à região. Kotor me encantou, mas não fiz a famosa subida às muralhas por conta do sol forte. Dizem que a vista é deslumbrante, mas eu preferi ver tudo na altura do mar mesmo ehehe. A noite na cidade é outra oportunidade para escolher um lugar charmoso para jantar ao longo da baía e deliciar-se com pratos como čevapi (salsichas grelhadas) e burek.

De Kotor consegui conhecer Budva e Perast porque justamente estava de carro. Perast é uma jóia tranquila, mas estava bem cheia (viajei na alta temporada, já era de se esperar). Vá cedo para aproveitar o charme com mais calma. Fiz um passeio de barco até a Ilha de Nossa Senhora das Rochas. A ilha tem uma igreja histórica e uma vista linda para o mar.



Tambem conheci Budva, uma das cidades costeiras mais conhecidas do país. Seu centro histórico murado, as pequenas praias e o clima descontraído do Adriático fizeram dela uma excelente parada de um dia. Não perca a oportunidade de visitar o icônico Sveti Stefan, um pequeno pedaço de terra conectado ao continente por uma estreita faixa de areia. O local é um resort de luxo, mas você pode admirar a vista de fora. Bom saber que a noite em Budva, que tem mais opções de vida noturna do que Kotor.

Em Kotor me hospedei na Antika Guesthouse, com quarto simples, sem café da manhã, mas dentro da cidade historia com acesso a pedestres somente. Tinha parceria com um estacionamento fora do centro antigo com pagamento à parte.
Tirana, uma capital surpreendente
Depois de atravessar a fronteira, segui dirigindo até Tirana. A capital da Albânia foi uma surpresa agradável, muito mais vibrante e moderna do que eu imaginava. Entre praças movimentadas, bairros cheios de cafés e a herança deixada pelo período comunista, a cidade mostrou uma Albânia contemporânea e cheia de energia. Foi uma parada rápida, mas suficiente para passear pela Praça Skanderbeg, a Mesquita Et’hem Bey, o Museu Nacional de História e o Museu de Arte Contemporânea. Se der tempo, reserve um tempo para de dar uma volta pela Blloku, o bairro vibrante cheio de cafés e lojas. Adorei tambem a visita à um bunker, que dedico um capitulo a parte abaixo.

Em Tirana me hospedei no Hotel La Favorita, um hotel novo, quarto grande, mas decoração sem charme nenhum. Bom custo-benefício e bem localizado (próximo a praça principal com distância a pé). É preciso reservar estacionamento com eles antes (poucas vagas). O local é um miolo pra chegar, dei algumas voltas, mas achei.


Os bunkers da Albânia
Poucos elementos contam tão bem a história recente da Albânia quanto seus famosos bunkers. Durante a ditadura comunista de Enver Hoxha, que governou o país entre 1944 e 1985, estima-se que mais de 170 mil bunkers tenham sido construídos por todo o território albanês. O comunista tinha uma verdadeira obsessão com a possibilidade de invasões estrangeiras e assim construiu bunkers espalhados por praias, montanhas, campos, cidades e até quintais de residências, tornando-se uma das imagens mais curiosas do país.



Hoje, muitos desses bunkers foram abandonados, enquanto outros ganharam novas funções como cafés, galerias de arte, depósitos e museus. Em Tirana, tive a oportunidade de visitar o Bunk’Art 2, localizado próximo à Praça Skanderbeg, no coração da cidade. Diferentemente do Bunk’Art 1, que fica nos arredores da capital e possui dimensões gigantescas, o Bunk’Art 2 foi transformado em um museu dedicado à história da polícia política e aos mecanismos de vigilância utilizados durante o regime comunista.



A visita é impactante e ajuda a compreender um período relativamente recente da história albanesa, marcado pelo isolamento quase completo do país em relação ao restante do mundo. Entre corredores subterrâneos, salas de comando e exposições multimídia, o museu oferece um importante contraste com a Albânia moderna, vibrante e aberta ao turismo que encontramos atualmente. Mais do que uma atração turística, é uma oportunidade de entender como o passado ajudou a moldar a identidade do país que vemos hoje.
Ohrid na MACEDONIA DO NORTE
De Tirana segui para Ohrid, na Macedônia do Norte, em uma das melhores decisões de toda a viagem. Às margens do Lago Ohrid, considerado um dos mais antigos da Europa, a cidade combina natureza, história e uma atmosfera tranquila difícil de descrever. Igrejas medievais sobre falésias, barcos deslizando pelas águas cristalinas e um pôr do sol sobre o lago simplesmente inesquecível.

A região é uma mistura perfeita de natureza e história, com um lago belíssimo e igrejas medievais fotogênicas. Ainda assim, se visitar no verão, o centro e a orla podem ficar cheios, principalmente nos fins de semana. A estrutura turística é simples e, em alguns pontos, o serviço pode ser mais lento que em destinos muito consolidados. Por outro lado, isso também faz parte da tranquilidade e do clima de cidade pequena que tanto me encantou.



Fiquei apenas uma noite ali e saí com a sensação de que havia cometido um erro de planejamento. Ohrid foi um dos lugares mais bonitos de toda a viagem e facilmente mereceria pelo menos três noites para ser explorada sem pressa.



Me hospedei na Villa Spa Chunarot, aliás amei esse hotelzinho. Decoração charmosa, com estacionamento, dentro da cidade murada. Fica na parte alta mas com uma curta caminhada, você estará próximo ao lago.



Berat, a cidade das mil janelas
De Ohrid voltei para a Albânia, e segui para Berat, uma das cidades históricas mais bonitas do país. Conhecida como a “cidade das mil janelas”, ela impressiona pelo conjunto de casas brancas construídas nas encostas das colinas. Foi declarada como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2008, em reconhecimento a importância de suas características únicas e bem preservadas.

O Centro Histórico é marcado por casas tradicionais de estilo otomano, com fachadas brancas e telhados de pedra. As casas são construídas em encostas íngremes, criando uma imagem distintiva quando vistas de longe. O apelido de “Cidade das Mil Janelas” refere-se à profusão de janelas nas casas do centro. Essas janelas, muitas delas em arcos, conferem um charme singular à paisagem urbana.



Me hospedei no Beratino Hotel, é quase uma pousada mas super bem localizada, familiar com café da manha, quarto com mobília antiga e aconchegante e com (poucas) vagas na frente da rua. Ótimo custo beneficio!


Dhermi, a joia da Riviera Albanesa
Pela Riviera Albanesa, escolhi Dhermi para relaxar. Já estava cansada da estrada e nao queria uma cidade muito movimentada como Saranda. Foi uma ótima escolha, depois de vários dias na estrada nesse roteiro de carro pelos balcãs, permaneci três noites nessa pequena localidade da Riviera Albanesa.



Mas antes mesmo de chegar, veio um dos momentos mais memoráveis do roteiro: a travessia do Passo de Llogara. A estrada serpenteia pelas montanhas em curvas e mais curvas, revelando mirantes espetaculares sobre o mar Jônico. É uma daquelas estradas que transformam o deslocamento em atração turística. Infelizmente nao tenho muitas fotos porque estava dirigindo sozinha, e por questões de segurança, não me arrisquei. Mas posso assegurar, essa estrada é incrivel!



Em Dhermi encontrei algumas das águas mais cristalinas da viagem. A região combina praias deslumbrantes, beach clubs elegantes, pequenos vilarejos e passeios de barco para enseadas acessíveis apenas pelo mar. Foi um dos lugares que mais gostei em toda a Albânia.
Em Dhermi me hospedei no Oscar’s apartments, um prédiozinho familiar localizado na parte alta da cidade. Gostei porque o quarto era bem novinho com frigobar e estacionamento, mas sem café da manhã.
Ksamil, o Caribe dos Bálcãs
Continuando pela Riviera Albanesa, segui para Ksamil, onde passei duas noites. A região é famosa pelas pequenas ilhas próximas à costa, pelo mar azul-turquesa e as praias de águas rasas. Mas, como falei, fui na alta temporada em Agosto e achei muito cheio. Mal tinha ligar na areia. EE os beachclubs tambem todos lotados. Albânia no verão já explodiu! Gostei mais dos meus dias em Dhermi que estavam mais tranquilos do que Ksamil.

Por lá me hospedei no Avenue Hotel, super bem localizado, novinho, com piscina, ótimo café da manhã e estacionamento.


Corfu, a pausa perfeita na Grécia
De Saranda embarquei no ferry com o carro para Corfú, na Grécia, onde permaneci cinco noites. Se você vai levar o carro como fiz, é preciso reservar com antecedência porque o ferry tem apenas 10 vagas. E posso atestar que estar de carro lá é importante para explorar a ilha.



Então, depois de tantos deslocamentos, Corfú foi o momento de diminuir o ritmo. A cidade histórica é charmosa, elegante e cheia de influências venezianas. Suas ruas estreitas, praças e cafés oferecem aquele ritmo mediterrâneo que faz qualquer viagem parecer mais leve. No entanto, é um dos destinos gregos mais procurados no verão. Se você vai em alta temporada como eu fui, prepare-se para multidões, preços mais altos e trânsito nas estradas que levam às praias mais famosas.

Além da cidade, dá para fazer um passeio de barco até Paxos e Antipaxos, duas pequenas ilhas cercadas por águas incrivelmente transparentes. Foram dias perfeitos para descansar antes de retomar a estrada.


Em Corfu me hospedei no Arbnb Nostalgia Corfu Town, um apart decorado com muito charme, quarto, sala, cozinha e estacionamento. Não oferecia café da manhã e era afastado do centro histórico. De carro era perto, mas não dava para ir a pé, por exemplo.
Amei Gjirokastër, a cidade de pedra
De volta à Albânia, o roteiro seguiu para Gjirokastër, uma das cidades históricas mais importantes do país. Com suas casas de pedra e seu castelo dominando a paisagem, ela oferece uma atmosfera completamente diferente da encontrada no litoral.



Minha penultima parada na Albânia foi Gjirokastër, uma das cidades históricas mais impressionantes dos Bálcãs. Declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 2005, ela é conhecida como a “Cidade de Pedra” por suas casas otomanas construídas com telhados de pedra e erguidas sobre encostas íngremes. O conjunto arquitetônico é tão bem preservado que parece transportar o visitante para séculos atrás, com ruas de pedra, escadarias intermináveis e construções que parecem empilhadas umas sobre as outras.
O grande destaque é o Castelo de Gjirokastër, uma das maiores fortalezas dos Bálcãs, situado no topo da colina que domina a cidade. Além das vistas espetaculares sobre o vale do rio Drino, o castelo abriga museus e um curioso avião militar americano exibido como símbolo da Guerra Fria. Já no centro histórico, o antigo bazar, repleto de cafés, restaurantes e lojas de artesanato, oferece uma atmosfera autêntica e é o lugar perfeito para absorver o charme desta cidade única, onde a influência otomana permanece visível em cada esquina.



Em GjiroKaster me hospedei no Alsara Guest House, outra pousada familiar com quarto aconchegante, dentro da cidade antiga (área de pedestres) e bem pertinho da Mesquita de pedras do seculo XVIII. Estacionei no subsolo próximo a entrada da cidade antiga.



Em seguida veio um dos trechos mais longos da viagem: um dia inteiro dirigindo rumo ao norte da Albânia até Shkodër. Foram muitas horas na estrada, mas também uma oportunidade de observar como as paisagens mudam ao longo do país.
Como foi meu roteiro de carro pelos Bálcãs?
Grande parte do encanto deste roteiro está justamente na estrada. Em geral, dirigir pelos Bálcãs foi muito mais fácil do que eu imaginava. As estradas principais estavam em boas condições e os trajetos eram constantemente recompensados por paisagens espetaculares.

Os trechos costeiros da Albânia e de Montenegro oferecem vistas permanentes do Adriático e do Jônico, enquanto as estradas do interior atravessam montanhas, vales e pequenas cidades históricas. O Passo de Llogara, na Riviera Albanesa, merece destaque especial por proporcionar algumas das paisagens mais impressionantes de toda a viagem. Foi um roteiro com muitas horas ao volante, mas em nenhum momento a estrada pareceu apenas um meio de transporte. Ela foi parte fundamental da experiência!
Valeu a pena?
Sem dúvida. Este roteiro reuniu cidades medievais, lagos cristalinos, montanhas, praias paradisíacas, ilhas gregas e algumas das estradas mais bonitas da Europa em uma única viagem. Se você também sonha em explorar os Bálcãs de forma independente, posso ajudar a transformar essa ideia em um roteiro personalizado, desenhado de acordo com seu ritmo, interesses e estilo de viagem. Afinal, algumas das melhores descobertas acontecem justamente quando temos liberdade para seguir pela próxima curva da estrada.
Espero que tenham gostado do meu roteiro de carro pelos Balcãs.
Se tiver duvidas, entre em contato comigo pelo Instagram Viagens e Outras Historias.
Obrigada pela visita e volte sempre!













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