Pompeia

Pompeia é História!

Por Renato Willi

Começamos nossa viagem de 15 dias pela Itália por Nápoles, local de chegada mais próximo para nossos destinos, de onde acordaríamos cedo pela manhã, pegaríamos o carro alugado e partiríamos com destino à Costiera Amalfitana, com uma parada em Pompeia.

Esse era o plano, mas como já dizia um general prussiano: “nenhum plano de batalha sobrevive ao contato com o inimigo”, ou o Mike Tyson, de forma mais sutil: “todo mundo tem um plano, até levar um soco na boca”.

Era um dia de procissão em Nápoles, e o caminho para o aeroporto passava bem ao lado de um cemitério… Levamos um tempão pra chegar ao aeroporto, de onde retiraríamos o carro. Lá chegando, filas enormes e lentas cheias de turistas para pegarem seus carros. No guichet, a atendente disse que era meu dia de sorte, pois tinha recebido um upgrade do carro para um carro maior e melhor!

Muita calma nessa hora – eu tinha alugado um carro pequeno porque já tinha recebido muitas recomendações sobre a estrada da Costiera: super estreita, cheia de curvas, você passa raspando no retrovisor alheio e não há pra onde escapar, de um lado é montanha, do outro penhasco. Não é para os que dirigem mal, para os que enjoam com curvas nem os fracos de coração.

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Calma, eu não dirijo bem, o carro era grande mas estou aqui vivo contando a história.

O primeiro destino era uma loja de operadora de celular no caminho pra Pompeia, que eu já tinha pego o endereço antes. Não seria em Nápoles já pra evitar o trânsito intenso da cidade.

Quanta inocência… Uma cidade é grudada na outra e o trânsito é bem intenso e caótico por todo o trecho. Nisso perdemos mais umas 2 horas do dia. O chip de celular era pra dados, paguei 30 Euros pra 2.5 Gb, mais que o necessário para minha necessidade: ajuda com mapas, palavras, localização e busca por dicas em momentos de conveniência.

Pegamos a estrada que fica o tempo todo às sombras do imponente Monte Vesúvio, chegamos em Pompeia e almoçamos rapidamente num “pega-turista” (qualquer estabelecimento próximo a atração turística onde provavelmente você vai pagar mais caro e ter uma experiência provavelmente não tão boa quanto em um lugar não-turístico).

Recomendo que você separe de 2 a 4 horas pra passear por Pompeia. A cidade é bem grandinha, um guia nos recomendou os principais pontos de interesse: o Fórum, uma praça grande, algumas casas em particular, sauna, banheiro público e a região mais próxima da saída, onde há um anfiteatro e teatros. (No mapa: regiões I, II, VI e VII).

Pompeia

Dependendo do seu ânimo, dá pra passar mais tempo. Dá até pra visitar a cratera do Vesúvio, que ainda é um vulcão ativo e teve sua última erupção em 1944.

Muito do que se sabe da vida na época do Império Romano hoje em dia, vem das escavações que foram feitas em Pompeia. Mais do que veio do que sobrou de Roma, que ficou muito menos conservado.

A cidade era cheia de afrescos, mosaicos e estátuas que retratavam o cotidiano das pessoas (se você assistiu ao seriado Roma, da HBO, com 2 temporadas, é bem fiel ao que retratam! Eu recomendo fortemente assistir porque ajuda no “exercício de imaginação” que é ver uma ruína e imaginar como as coisas eram antes de destruídas.).

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Você pode ver as grandes Villas das famílias mais ricas, ornamentadas com belas colunas, estátuas, jardins, fontes e piscinas num pátio no meio da casa pra refrescá-la. Banheiros públicos comuns a todos, uma padaria, templos dedicados a deuses da mitologia Romana, e até a sofisticada construção de uma sauna pública, com água aquecida e água fria. Sim, esses caras sabiam viver bem (infelizmente às custas de muitas guerras e escravos).

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Pena que boa parte dos mosaicos, estátuas e afrescos não estão ali nos seus locais originais, mas no museu de Nápoles. Outra curiosidade: Pompéia foi redescoberta 1.600 anos depois, e na época os escavadores tiravam os objetos, levavam aos museus e depois enterravam tudo de novo!

O Monte Vesúvio (que aparece em afrescos e mosaicos ainda com a ponta, antes da erupção) entrou em erupção em 79 d.C e matou aproximadamente 16 mil pessoas  na região, principalmente em Pompeia e Herculano.

O que matou as pessoas não foi lava. Essa era uma dúvida minha, porque a lava teria derretido tudo. Mas a lava nem passou pela cidade pra destruí-la. O que destruiu tudo e matou todo mundo foi calor, gases tóxicos, cinzas vulcânicas e dejetos incandescentes lançados do vulcão. Estima-se que a força da explosão tenha sido equivalente a 100.000 vezes a energia gerada pela bomba de Hiroshima. Essa nuvem chegou a uma altura de 33km (os aviões voam a uma altura de 10-12 km). Acho que dá pra imaginar o estrago.

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A cidade foi enterrada pelas cinzas e pedras, que estragaram a maioria dos telhados, e por isso a maioria das ruínas não os tem. Muita gente fica curiosa pelas pessoas “petrificadas” na hora da morte no momento da erupção, revelando cenários reais de seus dramáticos momentos finais. Pra isso, não precisa nem entrar na cidade porque boa parte está exposta do lado de fora mesmo, na entrada principal. Você vê que algumas pessoas morreram sofrendo, lutando, outras tentando fugir e caindo, algumas apenas “aceitando” o destino se deitando e dando as mãos ou abraçando algum ente querido.

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Lá dentro, só achei uns poucos corpos, num local bem difícil de achar. Só que não são petrificados! O processo foi o seguinte: foram cobertos pelas cinzas, “mumificados” como estavam ao morrer. As cinzas criaram uma espécie de “casca petrificada”, e dentro dela os corpos se decompuseram deixando apenas os ossos. Os escavadores encontravam espaços “vazios” nas escavações e descobriram que se tratavam de corpos, então passaram a preencher esses espaços com algum tipo de material, e é o resultado desse “molde” da pessoa que vemos expostos em Pompeia.

O mais bonito pra mim foi ver a vista do Monte Vesúvio, de um ponto alto da cidade logo após o Fórum. Monumental. Os pontos baixos foram algumas expectativas geradas, por exemplo, para uma estátua de um fauno ou alguns mosaicos. Simplesmente lotam os locais de pessoas, dificultando acesso, mas quando você consegue vencer a multidão pra vê-los, são tão pequenos… Sim, turistada padrão Itália. O bom é que você pode ouvir os guias alheios e aprender mais sobre o local no 0800.

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Terminado o passeio, partimos para Sorrento, nossa base para conhecer a Costa Amalfitana (onde também visitamos Amalfi, Positano e Ravello), o que contarei no próximo post!

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Se tiver dúvidas ou quiser mais dicas sobre Pompeia, deixe aqui seu comentário que responderemos com muita satisfação!

Grande abraço,

Willi

Sobre Renato Willi

Renato Willi

Meu avô era mecânico de aviões. Meu pai acompanhava meu avô aos aeroportos e via só “gente de cabeça branca” descendo dos aviões. Decidiu que não ia esperar ficar com cabeça branca pra começar a conhecer o mundo e assim seguiu a carreira no turismo, sempre viajando (muito!), como empresário até se “aposentar” – do trabalho, as viagens faz até hoje!

Eu sou o legado deles, fazendo minha parte pra continuar essa história. Adoro viagens, comidas, história, fotografias, paisagens, músicas e andar por aí com a mochila nas costas.

Você pode acompanhar mais minhas andanças por aqui:

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