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Paraíso das Ostras | Alagoas

No litoral Sul de Alagoas existe um povoado especial, conhecido como Paraíso das Ostras, que fica à beira de um lindo manguezal, cercado por Mata Atlântica. Um local privilegiado onde um braço de mar encontra a Lagoa do Roteiro, e onde se criam as ostras mais suculentas do país.

O povoado Vila Palatéia fica a 5 km de Barra de São Miguel. Seu maior encanto não vem da beleza natural do local, e sim na história desse povoado autossustentável. São quase 150 famílias que vivem quase exclusivamente do cultivo das ostras, e que tem seu sustento colhido direto da natureza.

A visita vale por isso. Estar diante de paisagens exuberantemente lindas, testemunhar a história dessa gente sofrida e batalhadora, e ainda degustar as ostras mais deliciosas em seu próprio habitat.

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Paraíso das ostras

Apoio importante, mas ainda insuficiente

O cultivo tomou outra proporção quando em 2002 o Sebrae e o Banco do Nordeste criaram o Programa Ostras Depuradas de Alagoas, com intuito de criar novas fontes de renda aos locais e ensinar outras profissões além da pesca. Foi com esse apoio que os pescadores e marisqueiros da região tiveram acesso à novas técnicas, criaram as mesas de cultivo e compraram as ferramentas. Nessa época foi fundada a Associação de Maricultores Paraíso das Ostras.

Atualmente a associação produz 12 mil ostras por semana, mas apenas duas mil são consumidas em Alagoas. Mesmo com essa produção toda, o povoado ainda continua extremamente pobre. Pouco a pouco as casas de taipa estão sendo substituídas por casas de alvenaria, mas de serviço público disponível apenas a energia elétrica… A escola e o pequeno posto de saúde foram construídos por uma inciativa privada.

Em busca das Ostras

O passeio começa quando pegamos uma estradinha de terra e nos afastamos da civilização. Não sabíamos exatamente o que nos esperava, porem guiada pela amiga Isabelle Hartmann, não esperava nada menos que uma grande tarde. E realmente foi.

Depois de um rápido contato com a vila, onde deixamos o carro, percorremos uma curta caminhada até as margens da lagoa, onde já dava para ver o manguezal. É de impressionar o tamanho das raízes aéreas, a vegetação, além das diversas espécies de caranguejos, entre eles um dos mais minúsculos que habita o planeta. Tão pequeno que nem deu para fotografar… 🙁

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Lagoa do Roteiro

Lagoa do Roteiro

De canoa fomos até o local onde deveriam estar as mesas, onde há uma palafita que abriga vigilantes que cuidam do criadouro por 24 horas. Infelizmente, àquela hora, devido ao curso natural da maré, as mesas já estavam encobertas. Atracamos numa ilha onde conhecemos Bastinha, como carinhosamente é chamada. Ela já estava lá nos esperando com as ostras colhidas e um sorriso aberto. Dentro d’água o tempo todo, fez questão de contar suas histórias com tanto orgulho que deu pra sentir na pele. Enquanto isso, o filho, munido de um facão, lavava as ostras e rompia as cascas.

Hora de degustar essa iguaria altamente proteica e rica em cálcio! O diferencial das ostras da Lagoa do Retiro é que o “gosto do mar” não é tão forte porque ali a água do mar se mistura à água da lagoa. Uma mesa improvisada dentro da canoa já tinha tudo o que precisávamos. Azeite, limão, mel e sal. Ah! E um champagne gelado providenciado por Isabelle para brindar aquele momento único.  

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Paraíso das Ostras

Paraíso das Ostras

Recomendo muito o passeio ao Paraíso das Ostras. Fora da rota turística, tenho certeza que vai ficar na sua lembrança por muito tempo.  

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Como é o cultivo das ostras

A região Nordeste tem uma das naturezas mais favoráveis para a criação de ostras devido às suas águas mais quentes. O verão é o período mais fértil para a reprodução justamente por conta do aumento da temperatura da água. Mas, mesmo nos demais meses do ano, as ostras se reproduzem e crescem bem nos viveiros no “Paraíso das Ostras”.

Paraíso das Ostras

 

Diferente da criação de peixes ou de camarão, o cultivo das ostras é mais simples porque não exige ração especial ou introdução de nutrientes. A ostra nativa se desenvolve naturalmente nas águas do manguezal. Ela se alimenta dos nutrientes que filtra na água, e que passa pelo interior de seu corpo. Uma ostra tem capacidade de filtrar quase 20 litros de água por hora!

A reprodução se dá quando a ostra macho solta espermatozoides na água, fecundando os óvulos das fêmeas. Então a fêmea expele as larvas que atingem as mesas de criação e também as conchas de outras ostras. Quando isso acontece é preciso separar as ostras, para que elas se desenvolvam completamente, caso contrário elas atrofiam, explicou Bastinha.  É preciso transplantá-las e separar as pequenas das grandes para possibilitar seu crescimento. Além disso é preciso colocá-las lado a lado com a parte mais abaulada para baixo, para que a ostra possa reter a água em seu interior. Elas permanecem em regime de “engorda” até atingirem o tamanho ideal para a comercialização depois de três a quatro meses. Quanto maior a ostra, mais valorizada comercialmente, obviamente.

Paraíso das Ostras

A extração predatória é, felizmente, cada vez mais combatida. Os marisqueiros preservam e entendem a importância do ecossistema. A criação em cativeiro não é só importante para preservar e garantir a sobrevivência e a reprodução da espécie, mas também pela preservação desse povoado que tem seu sustento provido da natureza.

Vila Palatéia

Vila Palatéia

Como chegar no Paraíso das Ostras

O vilarejo esconde-se a três quilômetros mata adentro, numa estrada de barro, à beira da Lagoa do Retiro. Esse passeio único é feito em pequenos grupos com a Gato do Mato Expedições. A duração é de aproximadamente de três horas. 

Entre em contato com o Charles pelo telefone: (82) 99992-6111 / (82) 98815-3078

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Um abraço e até a próxima.

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