Nesse artigo vou contar detalhadamente sobre o que fazer na Chapada dos Guimarães, em complemento ao primeiro que escrevi com as dicas gerais (como chegar, quando ir, onde ficar, etc). Se você ainda não leu esse primeiro artigo, clique aqui.

Quantos dias ficar na Chapada dos Guimarães

Uma das grandes vantagens da Chapada dos Guimaraes é justamente seu fácil acesso. Fica a apenas 60km da capital do Mato Grosso, Cuiabá.  Dá pra passar apenas um final de semana, um feriadão ou até mesmo uma semana que não vai faltar atividade pra o que fazer na Chapada dos Guimarães.

Eu passei um feriadão de 4 dias e preenchi-os de acordo com as atividades que estavam liberadas pois o parque, por conta das restrições da pandemia, ainda não estava totalmente liberado. Conto sobre minha programação diária mais abaixo.

O que fazer na Chapada dos Guimarães

No primeiro dia fizemos o Circuito das Águas do Cerrado pois as cachoeiras do parque estavam fechadas. Depois, no dia seguinte, fomos pras cavernas de Aroe Jari e a Gruta da Lagoa Azul. No final do dia ainda deu tempo pra curtir o por do sol no Mirante dos Ventos.

No terceiro dia fomos num bate-e-volta à Bom Jardim em Nobres e fizemos flutuação no Aquário Encantado, conhecemos a Cachoeira Serra Azul e a Lagoa das Araras. Já no quarto dia fomos ao Mirante do Véu da Noiva e à Cidade de Pedras. Das atrações que estavam abertas faltou o trekking até o morro do Jerônimo (que fica para a próxima), assim como as cachoeiras do parque que estavam fechadas. Conto tudo em detalhe aqui abaixo:

1º dia: Circuito Águas do Cerrado

O Circuito Águas do Cerrado fica na fazenda Buriti mais ou menos uns 60 km da Chapada. Levamos aprox 1,5h, principalmente por conta dos 25km de estrada de terra, etapa final pra chegar. As condições da estrada até que eram boas, mas praticamente sem nenhuma sinalização. Como estávamos com o guia foi tranquilo chegar. Nesse artigo aqui explico sobre a obrigatoriedade dos guias.

O circuito todo tem um percurso de trilhas de 8km ida e volta com diversos pontos de parada para contemplação e pra banho nas cachoeiras. Apesar da trilha ser no meio da mata do cerrado, tomar banho nas cachoeiras tornava tudo mais agradável e refrescante. Um belo momento para recuperar as energias!

São 7 cachoeiras ao todo, sendo apenas uma que não é permitida para o banho, apenas pra contemplação mesmo.

A trilha tem alguns sobes e desces, mas, como íamos parando, foi tranquilo. Na sua maior parte havia sombra e uma mata nativa ainda bem preservada. Indico esse passeio pra quem ama o contato com a natureza, e quer ter aquele dia relaxante e revigorante com banhos de cachoeira.

As cachoeiras das Águas do Cerrado

A cacheira que mais gostei foi a primeira, a cachoeira das orquídeas que é mais aberta, bate bastante sol e tem um poço lindo e bom para o banho. Foi ali que ficamos mais tempo e fizemos nosso picnic. Além dela tem a Cachoeira do Sossego, Cachoeira do Cambará, Cachoeira das Escadarias, Cachoeira Alma Gêmea, Cachoeira da Pedra Encantada e Cachoeira do Mistério.

Além das cachoeiras conhecemos o Poço do Amor, o lugar que eu mais amei e que fomos logo depois do almoço. Ele tem formato de coração e parece um ofurô natural, com água transparente em tons esverdeados.

Fora o custo do guia, que saiu em torno de R$ 300 pelo dia (e que pode ser dividido entre as pessoas do grupo), pagamos R$60,00 de entrada por pessoa mais R$ 20 para entrar com o carro (não precisa ser 4×4) até o inicio da trilha. Entrar com o carro vale a pena porque economiza uma boa caminhada no sol até lá, e não tem nenhum atrativo pelo caminho.

A sede da fazenda é simples, mas tem um restaurante que vende Gatorade, água e cerveja. Ah, e serve um almoço que aparenta ser muito gostoso. Nós levamos um lanche e acabamos não comendo ali mas o cheiro do arroz carreteiro e a galinhada estavam convidativos!

2º dia: Caverna Aroe Jari com Lagoa Azul e Mirante dos Ventos

Esse circuito que passa por 3 cavernas e 1 gruta não fica dentro do parque, mas numa fazenda particular na mesma estrada de terra que leva às Águas do Cerrado, passeio que fizemos no dia anterior. Com a vantagem que o trecho de terra é mais curto, mais ou menos metade. Pegue a Rodovia Emanuel Pinheiro MT-251 rumo ao Campo Verde. Do centro da chapada até a sede da caverna dá 34 Km. Não tem boa sinalização mas o guia, que é obrigatório, vai te conduzir até chegar lá.

Precisando de dicas de guia na Chapada dos Guimarães? Veja esse artigo aqui.

Saindo da sede onde pagamos os ingressos e pegamos as perneiras entramos num “ônibus” da propriedade que leva os visitantes mais próximo ao início da trilha onde está o complexo de cavernas. Todo o percurso a pé tem vegetação típica de cerrado e percorre uns 10km ida e volta. É programa pra uma manhã inteira.

Como caraterística do cerrado, os arbustos ali são retorcidos e possuem cascas grossas para suportar o fogo. Porém, a maior parte do percurso você encontrará uma mata de galeria, que são as áreas do cerrado que acompanham o leito de rios e córregos, local onde o fogo não entra, preservando então espécies de árvores e animais.

O Complexo de cavernas Aroe Jari

Começamos o dia pela ponte de pedra e depois fomos desbravar as cavernas Pobe Jari que significa “Morada das Águas”. Esse nome foi dado pelos índios Bororos que viviam na região. Depois fomos à Kiogo Brado (Ninho de Aves na língua dos Bororos) e a mais impressionante a Aroe Jari que significa “Morada das Almas”.

Aroe Jari é a maior caverna de arenito do Brasil com mais de 1500 metros de extensão. Entrando cerca de 200 metros pra dentro da caverna, já não é possível enxergar nada, somente com lanterna mesmo. Ali avistamos pequenas famílias de morcegos mas que ficam bem no alto (não chega a apavorar).

Depois das cavernas fomos conhecer a Gruta da Lagoa Azul. O banho, infelizmente, não está permitido ali. Por último, nós almoçamos no restaurante da fazenda e fomos conhecer a Cachoeira do Relógio.

O valor da entrada é salgado: R$ 170 (fora o guia) que inclui a entrada no complexo, perneiras, transporte em jardineira ou ônibus e almoço.   

+ Clique aqui para ver mais dicas sobre a Chapada dos Guimarães

Mirante Morro dos Ventos

No final da tarde do segundo dia, voltando do passeio das cavernas, ainda deu para passar pelo Mirante Morro dos Ventos, propriedade particular que fica na estrada de retorno dentro de um condomínio com mesmo nome. Pagamos R$ 50 pelo carro, incluindo todas as pessoas para entrar e conhecer o local.

O mirante tem uma vista lindíssima para os paredões e para a reserva natural. Imperdível! O por do sol ali é fantástico, criando uma aquarela de combinação de cores ao entardecer.

Bom saber que tem um restaurante no local e um quiosque que vende bebidas e sorvetes.

3º dia: Nobres com Aquário Encantado, Cachoeira Serra Azul e Lagoa das Araras

Como Nobres está fora da Chapada dos Guimarães, vou contar sobre esse dia num artigo separado. Clica aqui. Mas já adianto que dá pra fazer um bate-e-volta saindo cedinho e aproveitar bastante. Achamos que vale super á pena.

4º dia: Mirante da Cachoeira Véu da Noiva e Cidade de Pedras

Véu da Noiva

Em um vale com forma de ferradura, a cachoeira do Véu de Noiva fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Suas águas vêm do Rio Coxipó e caem sobre um incrível paredão de arenito com 86 metros de queda livre.

O mirante fica bem na entrada do parque e a caminhada até lá é tranquila, bem delimitada com uma descida, digamos leve. Pelo caminho não deixe de apreciar as flores típicas do cerrado.

Nos paredões escarpados pela erosão é possível encontrar ninhos de araras vermelhas. Não é raro assistir a uma revoada delas, que gostam de se exibir, para o nosso delírio, sobrevoando a cachoeira.

No passado era possível fazer uma trilha que dava acesso ao pé da cachoeira , mas infelizmente, após um grave acidente, esse acesso foi fechado, quando um barranco do lado direito da cachoeira desmoronou. Atualmente a contemplação é feita apenas pelo mirante, e conta com uma estrutura bem sinalizada e com grades de proteção.   

Cidade de Pedra

Tá aí um dos lugares mais fantásticos da região!

A Cidade de Pedra é mesmo incrível gente! Deixamos pro último dia e ficamos bem apreensivas quando o dia amanheceu chovendo. Graças ao incentivo do nosso guia Iziel não desanimamos e realmente valeu muito a pena. O céu não estava azul como os outros dias, mas a paisagem é espetacular com qualquer tempo. As nuvens até formaram cenários ainda mais inquietantes. Meu coração parecia saltar da boca lá, de tanto deslumbre. Não deixe de incluir a Cidade das Pedras no seu roteiro de o que fazer na Chapada dos Guimarães!

O acesso é mais difícil do que todos os outros lugares pois exige um carro 4×4 (que pode ser o do guia) . São 10km de estrada de terra com areais, mas vale a pena. Aliás, é bem provável que justamente por isso que a Cidade de Pedra está tão bem preservada. Suas formações rochosas e seus imensos paredões, de até 350 metros de altura, foram esculpidos pelo vento e pela chuva em milhões de anos. À beira de um cânion, o local lembra ruínas de uma cidade perdida no tempo e na natureza, daí o nome.

Repare nos paredões, ali estão vários ninhos da arara vermelha e diversas outras aves. Na parte de baixo do vale nascem alguns córregos como o Rio Claro e o Rio Mutuca. Outras trilhas, tanto na parte alta quanto dentro do vale, podem ser feitas na companhia de guias credenciados pelo parque.

A trilha é bem tranquila de se fazer. A visitação precisa ser agendada e só pode ser realizada com a presença de um guia credenciado, como nos outros atrativos do Parque. O valor do guia é mais puxado nesse passeio porque inclui o carro, mas como falei, vale a pena!

Outras opções de o que fazer na Chapada dos Guimarães

Da lista de atrações de o que fazer na Chapada dos Guimarães ficou faltando conhecer:

Dentro do Parque

  • O Circuito das Cachoeiras do Parque nacional – estava fechado por conta da pandemia – dá para conhecer várias cachoeiras num só dia, perfeito para se refrescar e admirar a natureza. Poderão ser visitadas até 7 cachoeiras em 9km de trilha moderada passando pelas quedas de 7 de Setembro, Pulo, Degraus, Prainha, Andorinhas e Independência. Todas são próprias para banho, com exceção da última. Os visitantes dizem que a cachoeira das Andorinhas é a mais bonita.
  • Cachoeira dos Namorados e Cachoeirinha – Com fácil acesso e não precisa de guia. A trilha fica pouco mais de 1km da entrada do parque e ambas possuem ótima condição para banho.
  • Morro de São Jerônimo – Trilha longa que leva até o Morro de São Jerônimo, o ponto mais alto do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Do alto dos seus 836 metros você tem uma vista panorâmica de toda a região. O Morro de São Jerônimo permite uma observação 360º dos arredores. Parece que o esforço vale a pena, mas não posso atestar porque não deu pra ir.
  • Vale do Rio Claro – Percurso realizado em veículos com tração 4×4 por estradas de terra. São 3 trilhas principais que passam por cachoeiras de águas cristalinas como o Poço Verde, Poço das Antas e a Crista do Galo.

Fora do Parque

  • O Mirante Alto do Céu – dizem que guarda o pôr-do-sol mais bonito da Chapada dos Guimarães.
  • Mirante do centro geodésico – É considerado o Centro Geodésico da América do Sul, um ponto equidistante de 1600km entre o Atlântico e o Pacífico, bem no meio da América do Sul. A entrada é gratuita e a vista da boca dos paredões é sensacional. Durante muito tempo acreditava-se que o centro geográfico da América do Sul ficava em Cuiabá, onde foi construído um obelisco. Porém, novos estudos comprovaram que o coração do nosso continente está mesmo na Chapada dos Guimarães, onde fica esse Mirante. Além da vista privilegiada, você tem a chance de visitar um dos ícones da Chapada, uma pedra que dá a sensação de que você está pendurado sobre o penhasco. Não é necessário guia.

Dicas Finais

Como dicas finais não esqueça de levar água, frutas, protetor solar, repelente para mosquitos, óculos (lá tem um mosquitinho “dos infernos” chamado “lambe-olho”) e chapéu ou boné. Ah! Não esqueça de levar um saco plástico para recolher o seu lixo please!

Evite caminhar nas trilhas nos horários mais quentes do dia, entre 11 e 15 horas. Use meias e calçados fechados, e sempre que possível, coloque perneiras para evitar ser picado por alguma cobra.  Há risco de cobras venenosas no local, portanto não se aventure sozinho.

Espero que tenham gostado das minhas dicas de O que fazer na Chapada dos Guimarães. Em caso de duvidas, deixa um comentário aqui que terei prazer em ajudar. 😉

Obrigada pela visita e volte sempre!

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