Isla del Sol | O mítico berço dos Incas

A Isla del Sol tem atraído pessoas há mais de 3 mil anos, e hoje é um destino muito desejado pelos viajantes que cruzam a América do Sul. É a maior ilha do Lago Titicaca e também a mais famosa. Com tamanho de aproximadamente 15 km quadrados, fica ao norte da cidade de Copacabana na Bolívia, a 3.800m de altitude.

É um ótimo local para fazer caminhadas, relaxar e curtir visuais incríveis do Lago Titicaca e dos Andes. Existem muitas lendas em torno da Isla del Sol, que é considerada um lugar abençoado, conhecida como a Ilha Sagrada dos Incas.

Isla del Sol

Isla del Sol

Isla del Sol

A ilha tem três povoados indígenas de origem quéchua e aimará, culturas que formaram o Império Inca. O povoado Yumani fica ao sul, Challapampa ao norte, e Challa no centro-leste. Essa população de aproximadamente 800 famílias vive essencialmente da agricultura, da pesca e do turismo. Suas fontes de renda vem da venda de artesanato, da entrada do museu ou dos “pedágios” cobrados ao longo das trilhas. Colaborem ao visitar a ilha comprando algo para ajudá-los. O pastoreio também é uma atividade que percebemos ao caminhar pelos povoados. Vimos vários animais como lhamas, alpacas, burritos, porcos e ovelhas.

Isla del Sol
Isla del Sol

As lendas locais

Conta a lenda que às margens do Lago Titicaca viviam homens incivilizados. Não praticavam nenhuma religião, não tinham uma nação organizada e nenhum conhecimento para cultivar a terra. Então Viracocha, o criador do Universo, emergiu do Titicaca neste local para criar Inti, uma das divindades Incas mais importantes, o deus sol.

Ali também nasceram os primeiros incas, Manco Capac, filho de Inti Sol, e Mama Ocllo, sua irmã e esposa, que tinham como missão ensinar aos homens os princípios da vida civilizada, a prosperar e aproveitar o que a natureza oferece.

Copacabana

Isla del Sol

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Eles deviam formar e fundar a capital do seu Império. Inti deu a eles um cajado de ouro e disse que em cada local que descansassem deviam bater suavemente no solo e aonde o cajado afundasse por completo deviam edificar um Cuzco, que seria a capital do Império.

Os dois receberam com alegria a missão dada por seu deus criador: o Inti. Das espumas das águas do Lago Titicaca, avançaram majestosamente pela superfície de suas águas cristalinas em busca da capital do império.

A Isla del Sol ainda está cheia de ruínas incas, em torno de 80. São em maioria templos e altares, mas que não se comparam as de Machu Picchu. Quanto ao visual, o Titicaca é imbatível… Tem um azul profundo, uma imensidão de água que me lembrou as cores de Santorini na Grécia. Em comum possuem a atmosfera carregada de misticismo.

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Isla del Sol

Como chegar e explorar a Isla del Sol

A maneira mais fácil de chegar à Isla del sol é por Copacabana, seu principal acesso, de onde saem os barcos. À frente da pequena marina tem vários guichês das cooperativas de barqueiros que fazem o trajeto. O valor gira em torno de 30 bolivianos, ida e volta (menos de 30 reais na data da minha viagem).

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São vários barcos que fazem a travessia de Copacabana até a ilha e saem às 8:30h e às 13h30 (confirmem no dia anterior) num trajeto que leva aprox 2 horas… Talvez pudessem fazer o trajeto em 40 minutos se os barcos não fosse tão lentos. Procurei por um mais novo e mais rápido mas parece que é tudo igual. Os preços e horários são padronizados.

Isla del Sol

Isla del Sol

As possibilidades para explorar a ilha são:

  • Fazer o bate-e-volta na parte norte e explorar as principais ruinas que ficam nessa parte da ilha. Na volta almoçar nas ilhas flotantes. Retorno por volta das 16:30h.
  • Ir para a costa norte, fazer um passeio rápido por lá e depois ir de barco para a costa sul, conhecer as ruínas dessa região e, no final da tarde, voltar com o barco para Copacabana.
  • Ir para a costa norte e fazer a trilha de 8Km com subidas, atravessando quase toda a ilha, para encontrar o barco na costa sul e retornar com ele para Copacabana. Essa opção é bem corrida, com risco de perder o barco.
  • Pernoitar na ilha e fazer trilha que une as duas partes da ilha – do norte ao sul (ou vice-versa) com calma.

Na hora de voltar são mais 2 horas de barco. Veja dicas importantes na sessão final.

Parte norte

No povoado de Challapampa ao norte ficam as principais ruínas da Isla del Sol. O povoado é pequeno, com um infraestrutura simples. Tem algumas pousadas e hostels, e reparei que na segunda praia é possível acampar.

Isla del Sol

Isla del Sol

Juntamos o grupo que estava no barco em torno do guia local que conduziu até as ruínas e deu explicações sobre o lugar. A primeira parada foi no Museo del Oro, que tem várias peças resgatadas da terra e das explorações arqueológicas no fundo do lago. Aliás, o primeiro grande explorador do fundo do lago foi o grande oceanógrafo Jacques Cousteau.

Isla del Sol

Seguindo a trilha passamos por vários portais, entre eles o Portal do Puma que hoje tem até uma grade, para evitar que pessoas sem pagar o pedagio ultrapassem.

Vimos a pedra que os Incas acreditavam ser o “Umbigo do Mundo”, a Roca Sagrada em formato de puma que teoricamente emana grande energia. Vimos também a mesa dos rituais, supostamente usada pelos incas para rituais religiosos e sacrifícios de animais, crianças e virgens.

Continuando a trilha chegamos nas Ruínas de la Chinkana, provavelmente o melhor conjunto de vestígios arqueológico da ilha. São ruínas de casas com corredores e cômodos, que esconde um segredo: uma fonte de água doce e potável que nunca seca. A grande quantidade de corredores e passagens estreitas fazem dessa ruína um pequeno labirinto bem legal de ser percorrido. Além disso, oferece um belo visual né?!

Isla del Sol

Isla del Sol

Isla del Sol

Isla del Sol

Mas o melhor é a paisagem da trilha, algo impressionante. Quando abriu o sol, ficou ainda mais bonito! A cor da água azul-esverdeada e cristalina, as praias areias brancas e as montanhas cheias de terraças onde os incas cultivavam seus alimentos.

Isla del Sol

Parte Sul – Onde ficar

Se você tem tempo para passar uma noite na isla del Sol vale muito a pena. Infelizmente, não programamos isso, fiquei na vontade…

Em Yumani estão as melhores pousadas e guest houses das famílias locais onde a maioria dos viajantes optam em pernoitar na ilha. Tem barzinhos e até um mirante para ver o pôr do sol dali, que dizem ser um dos mais bonitos!

Aproveite para tomar uma Paceña gelada, a cerveja local.

Isla del Sol

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Islas Flotantes

Depois da Isla del Sol fomos almoçar nas ilhas flotantes. Essas são turísticas e abrigam essencialmente um bar-restaurante que serve unicamente 1 prato: a truta pescada ali dos viveiros na hora. E servida com salada e batatas fritas. E com uma Paceña gelada!

As Islas flotantes originais, que ficam em Puno no lado Peruano do Titicaca, foram construídas à época em que os Incas expandiram seu Império sobre as terras dos povos ancestrais que viviam ali. Aliás até hoje eles ainda residem nessas ilhas, e vivem da pesca e do artesanato de peças feitas de totora, a planta aquática que cresce na superfície do lago, da qual também as ilhas flutuantes são feitas.

Isla flotantes

Isla del Sol

Isla del Sol

Isla del Sol

Isla de la Luna

Outra ilha importante no Lago Titicaca é a Isla de la Luna. Dizem que na época dos incas, as mulheres moravam na Isla da Luna para permanecerem puras até o casamento, e os homens na Isla del Sol. As mulheres eram divididas em 3 classes: as mulheres espertas, as normais e as “tontas”. Quando os incas realizavam seus rituais escolhiam uma mulher “tonta” e a ofereciam num ritual à Pacha Mama, a Mãe Terra. Pelo que entendi elas eram sacrificadas…

Existe também uma outra tradição na Bolívia de oferecer um sacrifício para a Pacha Mama antes de construir sua casa. Pelo que parece muitas pessoas até hoje enterram fetos de lhamas (vendidos no mercado de Bruxas em La Paz) no terreno antes de construir a casa.

Quando ir

A melhor época para visitar a Isla del Sol é durante o outono e inverno que é a estação seca (de maio a setembro). As temperaturas são mais baixas mas tem pouca chuva!

Isla del Sol

Dicas finais

  • Deixe suas coisas em Copacabana e leve somente o essencial como uma pequena mochila com câmera, água e dinheiro. Em Copacabana tem varios lugares que guardam sua mochila maior.
  • Não esqueça o protetor solar, mesmo nos dias nublados e frios. Eu fiquei um tomate e não percebi a forte incidência do sol na minha pele.
  • Caminhe sem muita pressa. A altitude deixa você ofegante com poucos passos.
  • Certifique-se que o seu bilhete de barco vai para a porta correta da ilha e deixe claro para a tripulação onde você precisa desembarcar.
  • Fique atento ao horário que o barco sai. O nosso barco ficou ancorado na parte sul por meros segundos e se afastou sem prévio anuncio.
  • Reserve dinheiro para entrar em algumas comunidades da ilha. Não há uma estação oficial de cobrança mas você provavelmente vai pagar algum pedágio. Se você fizer a caminhada com o guia, reserve o seu bilhete para não ter que pagar novamente.
  • No dia em que naveguei no lago estava calmo e sem vento, mas já ouvi relatos ruins, de pessoas que inclusive passaram mal. Não só com o balanço das ondas mas com o forte cheiro de combustão que é capaz de misturar até os estômagos mais resistentes. Se você é propenso esse tipo de mal, tome um dramim 30 minutos antes de embarcar (ou melhor, consulte seu médico antes).
  • Se forem pernoitar, vale levar seu saco de dormir, pois a temperatura à noite pode cair alguns graus abaixo de zero.
  • Observe o código de conduta que está num painel na entrada do vilarejo.

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Um beijo e até a proxima trip!

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