Você sabia que a Festa Junina no Brasil é a segunda maior comemoração e perde apenas para o Carnaval?! Celebrada em todos os estados, a festa mais tradicional é a nordestina. Por isso, fui lá conhecer a Festa Junina de Campina Grande, na Paraíba, que é reconhecida como “O Maior São João do Mundo”.

A festa foi criada em 1983 e retrata a tradicional cultura popular nordestina com muita música, dança e comidas típicas em mais de um mês inteiro de festa. A cidade se transforma em um imenso arraial, atrai mais de 4 milhões de pessoas e movimenta mais de 200 milhões de reais.

Origem da Festa Junina

Historiadores apontam que as origens das festas juninas estão nos rituais dos antigos povos germânicos e romanos que prestavam homenagens a diversos deuses da natureza, das plantações e das colheitas. Essas festividades geralmente aconteciam na segunda quinzena do mês de junho, quando ocorre o solstício de verão na Europa.

No Brasil a festa chegou em meados do século XVII com a colonização dos portugueses, sofreu influências do catolicismo, e ganhou associação aos santos Antônio, Pedro e João. Foi ganhando um feitio próprio por aqui, mesclando elementos típicos do interior do país e de tradições sertanejas. Seus principais elementos estão nas quadrilhas, na música e nas vestimentas. Os balões também possuem forte simbologia e são uma forma de oferenda aos céus ou agradecimentos a pedidos realizados.

Quadrilhas juninas

A quadrilha teve origem nos bailes franceses, no século XVIII, lá chamada de “quadrille”, uma dança feita em pares. Essa tradição camponesa foi trazida para o Brasil pelos portugueses que trouxeram para cá os vestidos cheios de adereços, os nomes dos passos e a vinculação religiosa ligada à colheita.

O estilo da dança foi se transformando com um toque brasileiro com a influência dos escravos e, depois, do povo nordestino. Além da coreografia estilizada, foi incluída a encenação do casamento cômico, que satiriza os casamentos forçados, comuns no passado. Um animador de quadrilha dita palavras como “anarriê”, “alavantú” e “balancê” que são adaptações de termos dos bailes populares da França.

Caraterização e vestimentas

A tradição da roupa também foi sofrendo adaptações no Brasil. Nos salões nobres da França usavam roupas pomposas, anáguas, saltos e perucas. Por aqui inseriram chapéus, tecidos de chita, além dos remendos nas calças, que são colocados para dar uma aparência de novas, já que os trabalhadores as usavam na lavoura. Os vestidos também foram encurtados, em função do clima mais quente do Brasil. Adorei ter participado vestida de caipira. Se não for pra ir vestida a caráter, eu nem vou! rs

Música regional

A música garante a animação da festa que traz nos sons nordestinos muita sanfona, triângulo e bumbo, espalhando alegria por onde ecoam. Não posso deixar de citar Luiz Gonzaga que é reconhecido como o Rei do Baião, um dos mais importantes artistas da música popular brasileira.

Luiz Gonzaga foi o pai do forró pé de serra. A expressão foi criada porque o ritmo musical se originou na região montanhosa do Araripe onde viveu, na divisa entre os estados de Pernambuco e do Ceará. Daí a expressão “pé de serra”. Amo as músicas Asa Branca, composta em 1947, que retrata a seca do sertão nordestino e a alegre “O Xote das Meninas”.

Festa Junina em Campina Grande

Passei um final de semana pra lá de animado em Campina Grande e me diverti muito. Abaixo os lugares que mais gostei.

Parque do Povo

A festa junina em Campina Grande começa no início de junho e vai até meados de julho. Tem uma programação repleta de atrações e shows com grandes estrelas da música popular regional brasileira. São mais de 120 trios de forró em 500 apresentações durante os 31 dias de festa.

Além dos shows de artistas consagrados, uma cidade cenográfica é montada no Parque do Povo com características dos tempos em que Campina Grande era uma vila. Também constroem uma fogueira gigante de 20 metros de altura que tem simbologia na purificação, proteção contra espíritos maus e homenagem aos deuses. Além desses significados, uma fogueira também é símbolo da reunião de familiares e amigos. Sem contar a alegria que dá ao ambiente da festa, e ajuda a aquecer, já que as Festas Juninas geralmente ocorrem nos meses mais frios, como junho e julho.

Na área chamada de “Pirâmide” ocorrem os campeonatos das quadrilhas das cidades próximas de Campina Grande, shows de calouros e o famoso casamento coletivo. Tudo ao ritmo do autêntico forró pé de serra.

São 6 palcos e 5 Ilhas de Forró distribuídas ao longo do Parque do Povo. Essas ilhas são espaços reservados para danças onde se toca o autêntico forró pé-de-serra e reúne pessoas que querem dançar forró de verdade.

Sítio Villa São João

Outro lugar que você não pode perder na Festa Junina da Campina Grande é o Arraial do Sítio São João. Todos os anos é montado um vilarejo cenográfico de 800 metros quadrados onde acontecem apresentações culturais nos fins de semana de junho e julho.

São 3 palcos simultâneos com shows de forró, quadrilhas, sanfoneiros, trios de forró, repentistas e declamadores da poesia nordestina. Além disso, tem vários bares e restaurantes para você conhecer a culinária local. É cobrado um valor individual na entrada e estacionamento. Veja a programação aqui.

Bar do Cuscuz em Campina Grande

Bar e restaurante com ambiente agradável com música ao vivo. Tem um ambiente com ar-condicionado e um outro ao ar livre. E atrás, separado, tem uma casa de shows. Só fui no restaurante e comi um escondidinho de carne de sol com nata gratinado que estava dos Deuses! E os shows muito bons! Ótima pedida para o almoço. Veja mais aqui.

Rivalidade entre Campina Grande e Caruaru

O título de Maior São João do Mundo é disputado com a festa de Caruaru, no agreste de Pernambuco. Não posso falar qual é melhor ou pior porque ainda não fui à Caruaru. Mas, já está decidido, ano que vem vou lá conferir e volto pra dizer o que achei pra vocês!

Espero que tenham gostado das minhas dicas da Festa Junina em Campina Grande. Caso tenha alguma duvida, deixe um comentário abaixo que terei prazer em ajudar! 🙂

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Obrigada pela visita e volte sempre!

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