Ruta de la Muerte

Uma das aventuras mais bacanas da nossa viagem foi o downhill de bike na Estrada da morte na Bolívia. Sonhava com essa adrenalina, desde que vi um vídeo há muito tempo atrás. Então, logo que decidi ir à Bolívia, já sabia que, além do Salar de Uyuni, o caminho mais perigoso do mundo estaria certamente no roteiro.

Ruta de la Muerte

Estrada da morte na Bolívia

Também conhecida como Death Road, a carretera que liga La Paz a região de Los Yungas tem ao todo cerca de 60 KM de extensão. O título de “estrada mais perigosa do mundo” foi dado pelo BID, o Banco Internacional de Desenvolvimento, em 1995. Obviamente o nome vem da enorme quantidade de acidentes com mortes que aconteceram por ali quando a estrada ainda havia transito de carros, ônibus e caminhões. Um dos mais terríveis acidentes aconteceu em 1983, quando um ônibus inteiro caiu da estrada e matou mais de 100 pessoas.

Os acidentes acontecem porque a estrada, construída em 1930, é muito estreita e contornada por enormes precipícios. Já viu o perigo né? É a estrada da morte na Bolívia!

Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Atualmente poucos carros circulam, pois em 1996 foi inaugurada uma nova rodovia mais ampla e segura. Você ainda vai observar ainda alguns poucos carros e vans das empresas de bikes, algumas motos e muitas bicicletas.

Mesmo com o transito reduzido ainda acontecem acidentes… ao menos um por dia. Já se foram mais de 30 ciclistas em acidentes fatais… portanto seja prudente, pra sua aventura termine bem como a minha!

 Ruta de la Muerte

Como foi o nosso dia

De acordo com a agência que escolhemos (falo sobre isso mais a frente) você não precisa ser expert em mountain bikes para descer a Ruta de la Muerte. Precisa saber andar de bicicleta e ouvir as instruções que são passadas. Eu acrescentaria mais um pré-requisito: ter espírito aventureiro. Se você tem estas 3 habilidades, mesmo com todos os perigos, não perca essa grande aventura!

O dia começou cedo, por volta das 7:30h, no ponto de encontro que a agência marcou no pub Sol y Luna bem próximo ao nosso hotel La Casona (calle Murillo). Ali subimos num micro-ônibus que já carregava as bikes e rumamos até La Cumbre, aos pés da montanha Huyaina Potosí, a 4.700 metros de altitude. Essa viagem durou aproximadamente menos de 1 hora quando o guia passou as primeiras orientações e nos apresentamos uns aos outros. No nosso grupo havia 4 australianos, 1 suíça e 3 brasileiras.

Antes do início fizemos um pequeno ritual bebendo alcool à 90% e também oferecendo-o à Pachamamma, uma divindade dos Andes Bolivianos e Peruanos.

Ruta de la Muerte

Apesar da descida durar “apenas” 4 a 5 horas, só retornamos à La Paz depois de 20:30 da noite. Isso porque o dia incluiu, além do downhill, os trajetos de ida e volta, muitas cervejas pra comemorar o êxito, almoço, banho, e a viagem de retorno.

Só o retorno durou umas 3 horas, porque a estrada, que já não é a Ruta de la Muerte, é bem mais longa e também sinuosa (porém asfaltada). Mas se o seu grupo for animado como o nosso, vai passar rápido. Cheers!

Há ainda uma parada na pequena vila Yolosa de onde se tem uma dose extra de adrenalina. Você pode voar sobre o vale em velocidades de até 85 km/h numa tirolesa de 1,5 KM de cumprimento (divididos em 3 cabos).

Dali seguimos para La Senda Verde, um abrigo de animais e um eco-lodge, onde um buffet de almoço de salada e massas (e mais cervejas, cobradas à parte). Lá também havia chuveiros quentes, sabonete e shampoo.

Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Como é o downhill

Ao todo são 3.500 metros de descida (dos 4700 aos 1200), dividida em duas partes. A primeira etapa é a de asfalto (22 Km), no alto da montanha. Lugar muito frio, mas bom para se acostumar com os freios e com a bicicleta. A segunda parte, que é a verdadeira Ruta de la Muerte, onde se requer mais técnica. Descemos um total de 66km, sendo 44 km na estrada da morte.

Durante a descida na parte asfaltada pegamos muito frio (quase congelante), não só por conta da velocidade que é bem maior, mas por conta da chuva também. Pegamos uma temperatura de 5 graus negativos! Pra piorar a visibilidade estava muito ruim devido ao um forte nevoeiro. Não há acostamento, pedalamos na estrada, junto com carros e caminhões que passavam por nós buzinando o tempo todo. Mas acredite, vai ficar bom!

Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Logo depois do túnel, que por conta da baixa luminosidade o contornamos, voltamos para a van para mais 8 km de viagem até a verdadeira “death road”. O frio já estava mais “aguentável” e o nevoeiro começava a dissipar à medida que descíamos a ruta.

É uma estrada de terra com enormes penhascos de mais de 800 metros de profundidade e curvas fechadas. Um caminho totalmente sinuoso, com várias pedras soltas, cachoeiras e rios. Um visual incrível, literalmente dentro da floresta subtropical da Bolívia.

Ruta de la Muerte

Paramos pelo menos umas 8 vezes ao longo da descida. Não só para descanso, fotos e revisão das bikes, como também para que os guias passassem as instruções da próxima etapa.

Bom você saber que não há resgate de helicóptero na Bolívia, portanto redobre a atenção para não despencar! Em alguns trechos a largura é de apenas 03 metros! E pra complicar a mão é inglesa, ou seja, você tem que pedalar do lado do penhasco. Mas isso por uma boa razão…  Como as curvas são extremamente fechadas, pedalando pela esquerda você consegue ver primeiro se há algum carro vindo no sentido contrário.

Ruta de la Muerte

Em alguns trechos há uma contenção de segurança, mas só alguns trechos, na maior parte não há nada entre você e o precipício.

Os sobreviventes ganham, ao final, uma merecida cerveja e uma camiseta. E uma sensação indescritível de vencer seus próprios medos e limites.

O troféu é chegar inteiro!

Primeiramente lembre-se que o downhill não é uma corrida, você tem que se divertir mas sempre com segurança. Portanto respeite o seu ritmo, não se preocupe em acompanhar as outras pessoas.

Pedras soltas, poeira, chuva, lama e deslizamentos de rochas acrescentam maior emoção ao caminho. Existem alguns poucos veículos na estrada da morte na Bolívia que o guia da frente avisa através de um apito quando vem um carro ou moto. De qualquer forma esteja atento.

Ruta de la Muerte

Como estava um tanto preocupada com o meu nível técnico para downhill preferi ter algumas aulas prévias com o treinador Gilmar Azevedo, triatleta e campeão de provas de bike. Certamente os treinos me ajudaram a vencer o desafio da Estrada da morte na Bolivia. Deixo aqui o contato dele caso tenham interesse nos treinos também. Agradeço também a equipe da Desbravando Rio (21) 98097-3419 que me apoiou e emprestou suas mountains bikes para meus treinos.

Enquanto descia lembrei dos ensinamentos do Gilmar em não perder o foco no percurso e antever as vias por onde passar. Os guias também repetiam isso pedindo prudência, e que não nos distraíssemos com o visual. Nem que nos apavorássemos com os carros buzinando na parte de asfalto.

Outro motivo de acidente é tentar tirar fotos com a Gopro. Aqui nesse post tem o relato de um amigo que se deu mal nessa… lembre-se que essa é a estrada mais perigosa do mundo! Use um suporte especifico para segurar sua gopro e só a ative/desative quando estiver parado. Não se arrisque na Estrada da Morte na Bolívia!

Ruta de la Muerte

Muito importante também ter um seguro especifico para esporte de aventura (exigido pelas boas agências). Fiz com a corretora T7 Seguros através do e-mail Pedro@t7seguros.com.br ou (21) 2276.9686.

Duas dicas para você que ainda está em dúvida: você pode contratar um guia exclusivo para descer junto com você por apenas 33 dólares (mas sinceramente não é preciso), e se por qualquer motivo quiser interromper o percurso, suba no ônibus da empresa que estará quase todo o tempo atrás do grupo.
Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Qual agência escolher

Certamente você vai cruzar com muitos outros ciclistas de outras agências ao longo do caminho. São ao todo mais de 25 agências operando os “tours” da estrada da morte na Bolívia. Na época de alta (inverno), são aproximadamente 100 aventureiros a descer a Ruta de la Muerte por dia.

A escolha da agência deve ser muito criteriosa pois dela depende sua segurança. Pesquisei bastante e fiquei entre duas agências, a Gravity e a Barracuda.

Acabei optando pela Gravity que foi muito boa, apesar de mais cara ($130 dólares), preferi não economizar com segurança.

Fiz minha reserva por internet e fui pessoalmente visitar as duas agências no dia anterior para ouvir os briefings e me certificar de minha escolha. As duas agências ficam bem perto uma da outra, na Calle Linares, assim como várias outras. Este ponto é bem central, perto da Plaza Mayor e da Igreja de San Francisco.

Ruta de la Muerte

Ruta de la Muerte

Você provavelmente vai assinar um termo que isenta a agência de qualquer culpa, caso você tenha qualquer acidente. E se estragar a bicicleta e/ou equipamento complementar também terá que arcar com o custo de reposição.

Os guias da Gravity falavam inglês com fluência, espanhol obviamente, e até arriscam o portunhol. Dois guias participam do tour, um fica na frente do pelotão e outro vai atrás do grupo que na Gravity não ultrapassa 14 pessoas. No meu dia haviam 8 aventureiros.

No pacote, além das bicicletas, estava incluso capacetes, luvas, roupa térmica e impermeável, joelheiras e cotoveleiras (opcional) e transporte ida e volta. Oferecem também lanches e o almoço (sem bebidas). As fotos inclusas são enviadas por um link depois.

Uma boa bicicleta faz diferença

As bicicletas da Gravity são de primeira linha da marca Kona, específicas para esse tipo de downhill. Disse o guia que custam em torno de 3500 dólares cada uma.

Ruta de la Muerte

A suspensão dupla é muito importante para amenizar as dores nas costas e os freios hidráulicos reduzem dores nos antebraços e nas mãos pela trepidação e esforço repetitivo de freio.

Nessas duas agências não havia a opção de escolher uma bicicleta menos equipada, pois segurança para elas são um pré-requisito importante para aventurar-se na estrada da morte na Bolívia.

Quando descer a Estrada da Morte na Bolívia

A alta temporada é de Abril a Novembro, justamente no inverno (imagina o frio) pois é mais seco. O verão é mais quente, só que com mais chuvas. Eu fui final de fevereiro pois minha viagem também tinha no roteiro o Salar de Uyuni alagado. De qualquer forma as noites são muito frias durante todo o ano devido à elevada altitude.

Não deixe de assistir o vídeo da Estrada da Morte na Bolívia!

O que vestir e o que levar

Como falei a estrada fica numa região de floresta, local de clima imprevisível, que muda muito. No topo é extremamente frio e lá embaixo muito calor. Já vá vestido com muitas camadas de roupas que sejam fácies de ir tirando aos poucos. Se tiver, vista-se um casaco fosforescente que é bom para a parte inicial com nevoeiro.

Sua mochila pode ficar no micro-ônibus que vai acompanhando o grupo. Leve uma toalha, um traje de banho, uma troca de roupa para a volta e um tênis (que provavelmente o seu vai molhar!). Leve óculos escuros para evitar que poeira e pedrinhas voadoras da descida caiam nos seus olhos. Se tiver é legal levar aqueles straps para evitar que os óculos caiam numa trepidação.

Ruta de la Muerte

Ah! É uma boa vestir aquele short de ciclista por debaixo de tudo, o acolchoado. Vai dar um conforto ao seu músculo traseiro!

Não esqueça o repelente e passe assim que chegar na etapa final. Ali você já vai estar de mangas curtas e os borrachudos vão te comer rapidamente.

Protetor solar nem preciso falar né… Para o frio do início e para o calor do final.

E não esqueça sua GoPro e um bom suporte para bikes. Usei o suporte de capacete que é melhor do que o guidom. Os vídeos ficaram irados! Em breve vou postar aqui.

Leve também 50 Bolivianos para pagamento de um pequeno imposto para os ciclistas que usam a estrada mais perigosa do mundo. O dinheiro é usado para construir e conservar infraestrutura como banheiros públicos, manutenção da estrada, segurança, e serviços de resgate.

Gostou do post? Está pretendendo descer a Estrada da morte na Bolívia? Ficou com alguma dúvida? Se sim, só deixar um comentário aqui que terei prazer em ajudar.

Continue lendo:

+ Isla del Sol, o lugar mítico dos Incas

+ Roteiro de 3 dias do Uyuni até a divisa do Chile

+ Salar de Uyuni, um dos lugares mais lindos do mundo!

+ Copacabana e o Lago Titicaca

+ Mochilão pela América do Sul

Um beijo e até a próxima aventura!

Viagens e Outras Historias

 

Escrito por
Publicado em

Deixe aqui seu comentário!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *