Cairo

Egito, 45 séculos de história

Conhecer o Egito foi uma grande oportunidade durante a viagem de mergulho ao Mar Vermelho, com os amigos da Queiroz Diver.  Sim, justamente o Egito, um país árabe, pobre, no meio do deserto, com problemas de segurança, mas de um passado glorioso, um dos berços da nossa civilização, com mais de 45 séculos de história.

As pirâmides de Gizé, únicas sobreviventes das sete maravilhas do mundo antigo.
As pirâmides de Gizé são as únicas sobreviventes das sete maravilhas do mundo antigo.

Com cultura e religião bem diferentes da nossa, certamente você terá um choque cultural, pois é realmente muito diferente. Porém ver de perto, escutar e aprender a história pessoalmente no local é de uma riqueza incomparável.

Como disse Amyr Klink : “Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar a arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como ele é, ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Vamos começar nossa viagem ao Egito pela grande aula de islamismo durante nossa visita à Mesquita Mohamed Ali, na Cidadela da Saladino, na Cidade do Cairo. Tivemos o privilégio de escutar um dos maiores especialistas em história Egípcia, nosso carismático guia Hossam El Fangary, da Activa Egypt Tours.

Essa imponente mesquita islâmica em estilo Otomano foi construída pelo Imperador Mohamed Ali no século XIX.
Essa imponente mesquita islâmica em estilo Otomano foi construída pelo Imperador Mohamed Ali no século XIX.

O Egito, com a maior população árabe do mundo (mais de 70 milhões de habitantes) tem o Islamismo como principal religião.  Ainda que você não concorde com seus pensamentos e comportamentos, independente da sua religião ou crença, é muito importante que, ao viajar para um lugar desses, respeite os hábitos e costumes locais.

No Egito a vida das mulheres é um pouco mais tranquila do que num estado como o Irã por exemplo. Mas, ainda assim, a maioria das mulheres no Egito usam o véu cobrindo os cabelos, não propriamente por uma questão religiosa, mas por exigência dos maridos ciumentos, e/ou por conta do grande assédio sexual.
Uma visitante não precisa cobrir os cabelos, mas é recomendável que não use roupas muito decotadas ou curtas, principalmente quando for entrar nos templos e mesquitas. As egípcias encaram as turistas que não se vestem adequadamente, como uma forma de repreensão e intimidamento.

Na minha viagem carregava sempre um lenço, apesar do calor, respeitava sempre que necessário. Por sorte, a maioria dos sitos arqueológicos do Egito são frequentados por turistas e mercadores que toleram com mais facilidade as vestimentas ocidentais.

Esse lindo lustre ilumina todo o domo da Mesquita e os tapetes ainda são originais.
Esse lindo lustre ilumina todo o domo da Mesquita e os tapetes ainda são originais.

E são justamente essas mulheres, as mais sacrificadas – pelo nosso ponto de vista. No islamismo, a mulher é considerada um “brinquedo”, inferior ao homem, possuindo uma série de “deficiências”. Pelo Alcorão “Os homens têm autoridade sobre as mulheres porque Alá fez um ser superior à outro”. Eles acreditam que os homem são intelectualmente superiores.
Suas roupas devem ser bem recatadas, sem transparências, deixando à mostra somente mãos e o rosto.

Não podem fazer sexo antes do casamento – de maneira nenhuma. Em alguns estados não é permitido acessar a internet livremente e não podem ler o livro que quiser. Beber cerveja ou namorar também não podem, principalmente do mesmo sexo. O preconceito no relacionamento homossexual é muito grande.
Do Cairo fui sozinha à Jordânia, num bate-volta à Petra, e fiquei bastante receosa em viajar desacompanhada. Graças a Alá, deu tudo certo! Em breve conto foi esta aventura num próximo post.

Aula Magna com Hossam Al Fangary na Mesquita de Mohamed Ali.
Aula Magna com Hossam Al Fangary na Mesquita de Mohamed Ali.

Lembrem-se que no passado essas mulheres eram negociadas por camelos… O próprio Maomé recebeu de presente a filha de Abu Bakr El Sedick, de seis anos. “O pai pode conceder sua filha em casamento, sem a permissão dela, porque ela não tem escolha”. Casaram-se, ela com 9 anos de idade, ele com 54.
Hoje em dia algumas famílias já não escolhem os maridos de suas filhas, mas elas ainda continuam sem poder sequer beijar seus pretendentes antes do casamento. Já o homem pode se casar com até 4 mulheres ao mesmo tempo, e pode divorciar-se, e casar-se novamente, no limite máximo de 4 esposas ao mesmo tempo.

Quanto ao sexo, ainda podem ter sexo ilimitado com escravas e concubinas, justificado pelo “desejo sexual compulsivo dos homens”. No Egito atualmente, seja pela crise econômica, entre outros motivos, não se vê tantas famílias poligâmicas como antigamente.

A grande mesquita do Cairo, com 80 metros de altura e revestimento em pedra.
A grande mesquita do Cairo, com 80 metros de altura e revestimento em pedra.

O islamismo é a religião que mais cresce no mundo, pois são justamente os países islâmicos que possuem as mais altas taxas de natalidade registradas. São mais de 1 bilhão de muçulmanos em todo o mundo.
Rezam no mínimo cinco vezes por dia voltados para Meca. As pessoas que trabalham podem acumular sua reza, e fazê-las todas de uma vez quando estiverem desocupadas do trabalho. É recomendável que todos os muçulmanos visitem a cidade sagrada do islamismo pelo menos uma vez na vida.

O imponente lustre da Mesquita
O imponente lustre da Mesquita

Meca, antes de ser um importante entreposto comercial na época das caravanas, é onde situa-se o santuário de Ka’bah, que,  segundo a tradição islâmica, é o lugar mais sagrado do mundo. Além disso, foi em Meca que Maomé nasceu e morreu.
Ao mesmo tempo que oferecem um caminho espiritual aos seus fiéis, representam uma fonte de ameaça, perigo e destruição defendida por grupos extremistas em prol de suas crenças.

Li recentemente na BBC que um líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, fez um apelo aos seus seguidores para destruírem a Esfinge e as pirâmides do Egito, dizendo que está na hora dos Muçulmanos apagarem a herança deixada pelos Faraós. Reforçam que a destruição de monumentos históricos é uma “tarefa religiosa”, já que para os extremistas, nenhum objeto material deve ser idolatrado.
“O fato dos antigos muçulmanos que estiveram entre os seguidores do profeta Maomé não terem destruído os monumentos dos faraós após entrarem em território egípcio não significa que não devamos fazer isso agora”, pregou o líder muçulmano no Kuwait, Ibrahim Al Kandari, endossando a posição dos extremistas.
Além da ameaça externa, o Egito já enfrentou também ameaças internas quando um integrante defendeu que o próprio Maomé havia destruído objetos de idolatria em Meca. Também pediam o fim do Ministério do Turismo egípcio, uma indústria que para eles seria comparável a “prostituição”. Infelizmente não é essa a primeira, e nem a última, vez que o legado de mais de quase 5 mil anos será ameaçado.

A mesquita ao lado do mercado Khan El Khalili
A mesquita ao lado do mercado Khan El Khalili

Em sua batalha contra o islamismo radical, o atual presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, está tomando uma série de ações na tentativa de combater o terrorismo. Recentemente criou uma lei com pena de morte aos que criam, lideram e financiam o terrorismo e está tentando reforçar o papel dos professores nas escolas, nas mesquitas e na internet.

Sabemos da crescente corrente radicalista, que estimulam movimentos terroristas, e do outro lado a intolerância ocidental que só prejudica o diálogo e respeito entre as partes.
Quem somos nós, se até George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos à época do maior atentado terrorista da história, visitou o Centro Islâmico de Washington uma semana depois do atentado e, de pés descalços, clamou aos americanos que não confundissem os terroristas com as pessoas pacíficas que professam o Islã.
Quem somos nós para julgar alguém por uma atitude isolada ou por uma mera aparência?
Quem somos nós?

45 séculos de historia! Nos próximos posts contarei mais sobre esta grande experiência!
45 séculos de historia! Nos próximos posts contarei mais sobre esta grande experiência!

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3 notas em “Egito, 45 séculos de história

  1. Uma viagem no túnel do tempo, uma viagem cultural, histórica, uma viagem sem igual . . .

    Um passeio ao mundo antigo, um lugar onde se compreende o que vem a ser as Maravilhas do Mundo Antigo.

    Um lugar para recordar, para imaginar e se teletransportar . . .

     

     

     

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