Se você ainda não ouviu falar do Petar, está prestes a descobrir tudo o que este parque tem a oferecer! Essa incrível aventura quem conta aqui é a Camila Paviani, uma de nossas colunistas mais aventureira!

Por Camila Paviani

O que você vai encontrar no PETAR vai muito além de paisagens bonitas, são experiências visuais, sensoriais, auditivas e olfativas. É uma conexão profunda com o ambiente, com seus limites. É por isso que quem visita o PETAR volta maravilhado, só estando lá fisicamente e vivendo todas essas experiências é para compreender de fato.

Sem dúvidas sua conexão com a natureza, o mundo e consigo mesmo nunca mais será a mesma depois desta experiência.

Bora conferir?

O Petar, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira é a maior área da mata atlântica preservada do Brasil, com aproximadamente 35 mil hectares. Patrimônio da Humanidade reconhecido pela Unesco, é um ambiente natural de grande beleza com enorme biodiversidade. Possui desde montanhas cobertas por densas florestas até um incrível conjunto de mais de 300 cavernas, incluindo a Caverna da Casa de Pedra que tem o maior pórtico do mundo com 215 metros de altura, e a Caverna de Santana que é uma das mais bem decoradas. Opções de aventura não faltam!

Petar

As cavernas são formadas pela água que com sua acidez dissolve as rochas calcárias, criando aberturas no solo.  A temperatura dentro das cavernas é constante o ano todo, cerca de 18 graus, e a umidade permanece sempre acima de 99%.

A entrada nos núcleos é paga, R$ 16,00 por pessoa (agosto/2021) por dia de visita, não importa a quantidade de cavernas que irá visitar no dia. Estudantes e professores têm 50% de desconto e residentes na cidade não pagam entrada.

Como chegar em Petar

O Petar fica no sul do estado de São Paulo, nas cidades de Iporanga e Apiaí. Para chegar a partir de São Paulo, há duas opções:

1 – Pela BR 373 pelo interior, passando por Sorocaba e Itapetininga – trajeto maior e mais rápido

2 – Pela BR 116 (Regis Bittencourt), paralelo ao litoral. Este caminho é menor, porém mais lento, pois inclui um trecho maior de estrada de terra, mas é possível incluir uma visita à Caverna do Diabo, em Eldorado – veja mais detalhes no final do post.

Partindo de Curitiba, também existem duas opções:

1- Pela BR 476, conhecido como o Rastro da Serpente devido às curvas e paisagens exuberantes. Trajeto um pouco maior do que a opção 2

2 – Pela BR 116 (Regis Bittencourt), caminho menor e mais rápido, mas sem as belezas da outra opção.

Núcleos do Petar

Das mais de 300 cavernas, apenas 12 estão abertas ao público, e são divididas em 4 núcleos:

Núcleo Santana

É o núcleo mais estruturado para o turismo, com passarelas, escadas e pontes, sem contato com a água. Normalmente são 2 dias de visita nesse núcleo, sendo:

Dia 1 – Caminhada leve de 2 km

Caverna do Santana – 800 mts ida e volta – abriga rica formação geológica em seu interior, inclusive formações raras como as cortinas, onde é possível extrair som como de um piano.

Caverna do Couto – 800 mts ida e volta – a caverna segue em linha reta por dentro da montanha e sai do outro lado com um lindo cartão postal em formato de “z”

Caverna Morro Preto

São 200 mts ida e volta – ou Caverna desmoronada, serviu de abrigo para primatas e indígenas, mas sofreu um desmoronamento antes mesmo de ser descoberta, por conta disso não possui formações como estalactites e estalagmites, mas possui resquícios dos povos que ali viveram, como restos das cascas de caracóis que eles se alimentavam e ossos encontrados durante escavações arqueológicas.

Também é possível ver o nome R. Krone gravado na pedra, botânico alemão que explorou a região por volta de 1908. Curiosidade: Essa caverna também é o início da Travessia do Aborto, local de extrema dificuldade onde as corporações realizam treinamentos de resgates. As passagens são tão estreitas que exigem verdadeiros contorcionismos para serem superadas, e só é possível ir para frente.

Ao final, nada melhor do que relaxar tomando um banho na cachoeira do Couto, e também na piscina natural do rio Betari, que é lindíssimo.

Dia 2 – Caminhada moderada de 8,5 km

Trilha do Betari – lindo caminho às margens do rio Betari, em alguns pontos atravessamos o rio com água na altura do joelho – é pra se molhar mesmo, não se preocupe com isso! Mesmo no inverno não passamos frio, pois a caminhada esquenta.

Caverna água suja – 800 mts ida e volta – Essa caverna tem alguns trechos com aventura, água na altura da cintura e uma cachoeira no final, vale muito a pena!

Caverna Cafezal – A menor caverna que visitamos, por dentro parece a lua, possui formações raras flores de aragonita. Recomendamos o Black-Out (apagar todas as luzes e ficar em silêncio refletindo por alguns instantes).

Cachoeira Andorinha e Beija Flor – Seguindo adiante chegamos às duas cachoeiras de 35 mts de altura cercada por pedras e poços verde esmeralda. A água é beeem gelada, mas na empolgação nem percebe. Depois de alguns momentos acostuma e fica tudo certo.

Núcleo Ouro Grosso em Petar

O Núcleo é considerado fácil e pode ser feito em um único dia:

Trilha da Figueira: o caminho passa por dentro de uma grande figueira que tem uma abertura que cabe uma pessoa embaixo.

Caverna Alambari de baixo – 600 mts onde os 200 primeiros são em solo seco e os 400 finais com água entre o peito e o pescoço. Eu, como pessoa que tem pavor de água, não consegui fazer, mas é altamente recomendado por todos os que passam pela experiência.

Núcleo Caboclos em Petar

O mais distante de todos, fica em Apiaí. Mesmo um dia frio e chuvoso não nos desanimamos e saímos 6h da pousada, chegamos em Apiaí por volta das 7:30, onde tomamos café na padaria da cidade, compramos pão e mortadela para o lanche e seguimos em direção à portaria do núcleo.

Temimina: Trilha difícil – 11 km ida e volta. Começamos por volta das 9h, e após meia hora de caminhada avistamos os primeiros sinais da rainha do parque: a onça pintada. Passamos por uma árvore onde ela deixou marcas de unhadas, dava pra ver que ainda estavam frescas, pois a cor da madeira estava bem viva.

Ao longo da trilha vimos diversas pegadas recentes, e apesar de estar corajosa, mas apreensiva, seguimos adiante. Nosso guia nos informou que a onça costuma se afastar do barulho causado por nós humanos, por conta disso, ataques de onça são raríssimos. Ele mesmo, apesar de querer, nunca viu uma. Confesso que em alguns momentos senti um par de olhos me acompanhando, mas não sei se era ela, ou minha imaginação pregando peças. Ainda mais com um pacote de mortadela nas costas.

Tudo isso foi esquecido no momento que vi o primeiro paredão da caverna Temimina, sem dúvidas um dos mais impressionantes que já vi. Essa caverna é gigantesca e possui aberturas no teto que levaram ao crescimento de jardins lá dentro. A forma como a luz entra na caverna e ilumina a vegetação é surreal. Em alguns pontos você vê o rio passando lá embaixo e é tão fundo que parece um abismo. Mais de uma vez pensei que estava num filme, de tão inacreditável que é. Fizemos o lanche no primeiro salão, com aquela vista, e nos preparamos para continuar.

Passamos pelas três partes da caverna, uma mais impressionante que a outra, e na última, visitamos o famoso “chuveiro”, um espeleotema raro que jorra água do teto da caverna ininterruptamente há milhares de anos. INACREDITÁVEL.

Passando o chuveiro atravessamos a parte rasa do rio em direção à saída – mais um cenário surreal – e iniciamos o retorno por um caminho diferente, com uma subida para lá de pesada.

Aqui é a parte mais difícil da trilha, porque é realmente muito íngreme e escorregadio, além de muito alto. Alguns trechos possuem cordas para auxiliar, outros, só seu equilíbrio mesmo. O segredo é respirar e respeitar seus limites, parar quantas vezes forem necessárias para seguir com segurança. Haja pernas!

Chegamos ao final da trilha por volta das 16h, tiramos as roupas enlameadas e pegamos a estrada de volta para o Bairro da Serra, cansados, mas felizes.

Núcleo Casa de Pedra

A trilha, considerada intermediária, tem cerca de 5km ida e volta e ao final encontra-se a maior abertura de caverna do mundo, a Caverna Casa de Pedra que, com seus 215 mts de altura, está no livro dos recordes “Guiness Book”. Não é permitido entrar na caverna, somente observá-la de fora, mas mesmo assim, a trilha e a vista de fora da caverna já são atrativos suficientes para te convencera realiza-la. Infelizmente para nós, nosso tempo acabou e não conseguimos fazer, mas já deixamos planejado para nossa próxima visita o Petar.

Caverna do Diabo: Essa caverna não faz parte do PETAR, mas fica próximo e vale a visita. Pra quem vem de SP via BR 116 (Regis Bittencourt), você certamente passará pela cidade de Eldorado, onde fica a caverna.  Ela é a maior do estado, com 6.237 metros de extensão, dos quais apenas 600 metros são abertos para visitação. Parece pouco, mas não é!

Durante a visita é possível observar diversos salões gigantescos com formações de milhares e milhares de anos. A parte “visitável” é totalmente preparada para o turismo, possui  passarelas, corrimãos, escadas e até iluminação em seu interior. As iluminações foram alvo de muitas críticas devido aos danos que podem causar ao ecossistema das cavernas, por conta disso foi reduzida, substituída por LEDs e ficam apagadas quando não há visitantes.

Ao chegar paga-se entrada no parque no valor de R$ 16,00 que dá direito a visitar o mirante + 3 cachoeiras. Para visitar a Caverna do Diabo, paga-se mais uma taxa de R$ 18,00 e a visita é acompanhada por guia que já está no local – não é necessário reservar com antecedência.

Continue lendo mais sobre Petar que no próximo artigo contarei onde ficar: Apiaí ou Iporanga?

Obrigada pela visita e volte sempre!

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