Novo Patrimônio da Humanidade, Paraty preserva seu Centro Histórico praticamente intacto. Nesse artigo conto brevemente a história de Paraty com intuito de fazer sua viagem mais interessante e rica, do ponto de vista histórico e cultural.

Igreja de paraty

Encantos de Paraty

Caminhar pelas ruas da cidade histórica é como se transportar diretamente para o século 17. As casinhas caiadas de branco com janelas coloridas, suas ruas de pedras “pés-de-moleque” e suas igrejas nos mostram um pouco do Brasil de antigamente. A proibição do tráfego de carros no centro histórico e as charretes movidas à cavalo aumentam a sensação dessa viagem pelo “túnel do tempo”.

A história de Paraty está totalmente ligada aos “ciclos do ouro” iniciado em 1695 e “ciclo do café” a partir do início do século 19, quando a cidade teve dois impulsos econômicos. No meio do ciclo da cana e por fim o ciclo do turismo que move a cidade atualmente.

História de Paraty

A história de Paraty começou num pequeno povoado no Morro do Forte em meados do século XVI. Foi Dona Maria Jácome de Mello quem doou aos índios goianases uma área entre os rios Perequê-Açú  e Rio Patitiba, onde hoje se encontra o Centro Histórico de Paraty. A única condição era que ali fosse construída uma capela em devoção à Nossa Senhora dos Remédios. A igreja hoje está na praça da Matriz, e a santa é considerada hoje padroeira da Cidade.

indios de paraty

A partir dos anos 1650 várias rebeliões ocorreram visando tornar a povoação independente do município de Angra dos Reis. Depois de muita luta, somente em 1667, Paraty foi elevada à condição de vila, ganhando o nome de “Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paratii”.

Sua localização, ao fundo da baía de Ilha Grande, era de grande importância, já que de lá saía um caminho em direção às Minas Gerais. Este caminho, hoje conhecido como Caminho do Ouro, era utilizado para se escoar das Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas que embarcavam para Portugal. Foi assim que Paraty tornou-se um entreposto comercial importante.

reflexos de paraty

Ciclo do Ouro

Com a descoberta de ouro na região das Minas Gerais, Paraty foi descoberta porque em 1702 o governador da capitania do Rio de Janeiro exigiu que os produtos que ingressassem no Brasil, com destino às Minas Gerais, deveriam chegar pelo Rio de Janeiro e necessariamente passar por Paraty. Dali seguiam para as Minas Gerais por uma antiga trilha indígena que passou a ser conhecida por “Caminho do Ouro”. Esse caminho ligava as tribos dos índios Guaianás de Paraty às tribos do Vale do Paraíba, via serra do Mar.

Após o declínio da produção do ouro, Paraty foi aos poucos perdendo importância. Foram os ciclos da cana e do café que, em meados do século XIX, ajudaram a cidade novamente a crescer.

Ciclo da Cana de Açucar

No século XVII um novo incremento no cultivo de cana-de-açúcar e a cidade foi uma grande produtora de cachaça. A produção de aguardente trouxe à Paraty um novo período de prosperidade. Por volta de 1820, em plena alta produção da cana, Paraty chegou a ter 250 engenhos e 150 destilarias em atividade. A produção era tão elevada que a expressão “Parati” passou a ser sinônimo de cachaça.

cachaça de paraty

As pessoas pediam uma dose de “Paraty”. Até os dias de hoje ainda perduram alguns alambiques com cachaça artesanal de ótima qualidade.

Ciclo do Café

Nos anos 1830 o café era o produto mais exportado do Brasil, com alto valor no mercado europeu. A principal região produtora era o Vale do Paraíba. Paraty beneficiou-se disso pois era o porto mais próximo para embarcar o café para a Europa. Mais de 20.000 animais passavam por ano em Paraty carregados com sacas de café, e outros produtos agrícolas, para serem vendidos no Rio de Janeiro.

Além disso, Paraty também serviu para burlar a proibição ao tráfico de escravos com o desembarque de africanos em seu porto. Nessa época então, as rotas, por onde antes passava o ouro, foram usadas para o tráfico e para o escoamento da produção cafeeira do vale do Paraíba.

historia de Paraty

Na época do Segundo Reinado por volta de 1844, um decreto Lei do imperador Pedro II elevou a antiga vila à categoria de cidade. Em 1864 a ferrovia de Barra do Piraí, desembocando diretamente no Rio de Janeiro, levou a cidade a um grande isolamento econômico.

Por fim, a abolição da escravatura em 1888 levou a maior parte da população a abandonar a cidade e causou a decadência de Paraty por um longo período.

Ciclo do Turismo

Em 1958 o conjunto histórico de Paraty foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – o IPHAN.

Nos anos 70 a economia da cidade teve um novo impulso, desta vez em prol do turismo. A construção da estrada Rio-Santos em 1973, e a reabertura da estrada que a ligava ao estado de São Paulo (Paraty-Cunha), transformaram a região em um centro turístico muito procurado.

Paraty

As pessoas vinham conhecer e apreciar o conjunto arquitetônico e as belezas naturais de Paraty. Na realidade, foi justamente o período de esquecimento que propiciou a preservação da arquitetura colonial da cidade até a abertura da Rio-Santos.

No próximo artigo vou contar minhas dicas de o que fazer em Paraty, mas posso adiantar que hoje a cidade é o segundo pólo turístico do estado do Rio de Janeiro e o 17º do país. O turismo é hoje a principal atividade econômica de Paraty.

Paraty abriga vários eventos culturais, entre eles a famosa FLIP, a feira Literária Internacional de Paraty, que conta com a participação de importantes autores brasileiros e internacionais.

Paraty

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Espero que tenham gostado do breve resumo sobre a História de Paraty. Se sim, deixa um comentário aqui abaixo para eu saber da sua visita.

Um beijo e até a próxima!

Flávia Ribeiro

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