Chile vinhos

Se você gosta de vinho não deixe visitar a rota do vinho no Chile e seus consagrados vales como Cachapoal, Maipo e o Vale do Colchagua, região que já foi considerada como uma das melhores do mundo!

Roteiro Enogastronômico no Chile

Além da oportunidade de degustar os melhores vinhos do Chile e aprender o processo de produção in loco, você pode hospedar-se nas próprias vinícolas, muitas delas centenárias, como a Santa Rita, onde me encantei com tudo. Sem contar que o Chile é lindo, né?! Belas paisagens de montanhas, vales e rios que vão te seguir por toda a viagem. Abaixo conto minhas dicas deste super roteiro enogastronômico, e aproveito para compartilhar historias e curiosidades sobre o mundo do vinho.

Entre o Pacífico e a Cordilheira
Entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira

Condições climáticas da rota do vinho no Chile

A rota do vinho no Chile tem um conjunto de condições ideais para o cultivo da uva, condições estas que favorecem a fertilidade de suas terras e que permite à indústria vinicultora desenvolver excelentes vinhos, muitos deles com reconhecimento mundial.

Na minha viagem muito se falou sobre a diversidade da geografia e do clima que favorecem a plantação das uvas por lá. Essa diversidade cria microclimas ideais para o cultivo de diferentes variedades e propiciam aos seus solos particularidades únicas e de ótima qualidade. O Chile tem mais de 4300 km quilômetros de comprimento e somente 180 km de largura, que ficam espremidos entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, a maior cadeia montanhosa do mundo em comprimento. 

Vale do Colchagua, eleito em 2005 a melhor região do mundo!
Vale do Colchagua, eleito em 2005 a melhor região do mundo!

Microclimas do Chile

O clima também é diverso. No norte do país, onde está o Atacama, é quente e seco. No centro, na região de Santiago, o clima já é mais ameno com estações mais bem definidas. No sul encontramos um clima frio, e até geleiras, onde estão as Torres del Paine e a Patagônia.

Como nem tudo é perfeito, infelizmente, o Chile é propenso a terremotos, que costumam acontecer de 20 a 25 anos. Em 2010 houve um forte terremoto que afetou a indústria vinicultora causando-lhes muitos prejuízos com a destruição de suas bodegas.

Diversas variedades de uvas se adaptam muito bem aos microclimas e vales produtores do Chile. Eu particularmente prefiro os vinhos brancos, principalmente os Chardonnays, mas as uvas tintas são as mais populares. Em primeira posição está a Cabernet Sauvignon, mas no Chile há também plantio de Merlot, Syrah e Carménère, a uva emblemática do Chile pela história que conto abaixo.

Chile-Cepa-Carbenet

A História da Carménère

A Carménère, de origem francesa, da família das cabernets, foi uma das variedades mais cultivadas no século XIX na Europa. Porém na década de 1860 ela não resistiu à philoxera, quando suas videiras foram praticamente eximadas por essa praga que sugava a seiva das plantas. Depois das perdas, os vinicultores decidiram substituí-la por outras castas menos sensíveis, como a Merlot, por exemplo. Isto praticamente exterminou a Carménère da Europa.

Mas em 1994 uma missão de técnicos franceses em visita às vinhas no Chile redescobriu por acaso a Carménère por lá. Eles notaram que algumas das supostas plantações de Merlot demoravam demais para maturar e, ao realizar testes, concluiram que se tratava da Carménère, devastada da Europa décadas atrás, e confundida no Chile como uma Merlot. Era o renascimento da Carménère, a fênix das uvas. A partir daí esta cepa passou a ser considerada quase uma “exclusividade” chilena e, junto com a Cabernet Sauvignon, é uma das uvas ícones do Chile.

A Carbenet Sauvignon

A Carbenet Sauvignon produz vinhos com alto teor de tanino e com bastante corpo. Os melhores vinhos são ricos e firmes, com grande intensidade e o clássico sabor Carbenet. Podem envelhecer até 15 anos ou mais… e só melhoram! Em geral são misturados com outras uvas como a Merlot, menos tânica, de cor também intensa, bom corpo e alto teor alcoólico. Os aromas podem ser de ameixa, chocolate ou cassis.

Para a fermentação alguns usam o barril de inox e para a maturação o de carvalho.
Para a fermentação produtores usam o barril de inox e para a maturação o barril de carvalho.

Geralmente os bons vinhos são encontrados nas altas e baixas latitudes, veja que há claramente uma faixa que reune estas boas condições. No Sul repare que temos na mesma linha, como bons produtores, o Chile e a Argentina nas Américas, a Africa do Sul no continente Africano, e do outro lado do mundo, na mesma faixa, temos Austrália e Nova Zelândia. Ao Norte temos Califórnia e Europa na mesma linha. Do lado oriente temos a China que ainda não descobriu (será?) o potencial do seu tipo de clima e solo. Será que, em pouco tempo, estaremos bebendo vinhos chineses?!

A degustação na Rota do Vinho no Chile

Equilíbrio é o que procuramos no vinho, que é a relação mútua entre doçura, acidez, tanino e álcool. O vinho é equilibrado quando no momento da degustação nada se sobressai. Além de equilíbrio, ao degustar um vinho, devemos avaliar alcance, corpo e complexidade.

As vinícolas frequentemente utilizam barris de carvalho para a fermentação e/ou maturação. O aroma e sabor variam de acordo com a origem do carvalho e a idade dos barris. A colheira no Chile ocorre entre Fevereiro e Abril.

O barril de carvalho francês é reconhecido por dar ao vinho complexidade e sofisticação.
O barril de carvalho francês é reconhecido por dar ao vinho complexidade e sofisticação.

A visita à uma produtora sempre começa pela “fábrica”, de onde os vinicultores dão todas as informações sobre o processo de produção, explicam cada fase, deste as plantações até o engarrafamento dos vinhos. No final… a tão esperada degustação!

State of the art!
State of the art!

A grande maioria das vinícolas são modernas e usam tecnologia de ponta para a fabricação de seus vinhos. A vinificação da Altair por exemplo, é feita pelo processo tradicional que mixa alta tecnologia com a meticulosidade do trabalho manual. Iniciam pela colheita com gamelas de 15ks, passando por uma dupla seleção, primeiro nos cachos e uma seleta uva a uva. A partir daí as uvinhas vão para o processo de fermentação.

Antigamente costumava-se esmagar as uvas, hoje é tudo é tecnológico. domina.
Antigamente costumava-se esmagar as uvas com os pés, hoje a tecnolodia domina.

Viticultora ou vinicultura? Qual a diferença? A viticultura estuda o cultivo das uvas em geral, para diversas finalidades, já a vinicultura se baseia no cultivo das uvas para a fabricação de vinhos. Então aqui estamos a falar dos dois, uva e vinho!

As Vinícolas da Rota do Vinho no Chile

Se você vai por conta própria recomendo fortemente reservar sua visita ou hospedagem com antecedência. Muito legal será desenhar o roteiro, por onde começar e quantos dias ficar em cada região. No nosso caso optamos por explorar a região onde havíamos definido nos hospedar, para evitar o risco de dirigir depois de beber. Concentramos portanto nossa visita ao redor da Casa Silva e da Santa Rita. Ou se preferir, há opção de contratar um motorista ou guia.

Casa Silva

Nossa primeira parada na Rota do vinho no Chile foi na Viña Casa Silva no Vale do Colchagua, a aprox. 180 km ao Sul de Santiago. Uma das vinícolas mais antigas do Vale do Colchagua, ainda familiar. O orgulho da casa é que 100% de seus vinhedos possuem certificação pelo Código de Sustentabilidade do Chile. Seus principais rótulos das linhas premium são o Altura e Los Lingues.

Antes dos agrotóxicos, eram as roseiras que previniam as pragas nas videiras
Antes dos agrotóxicos, eram as roseiras que previniam as pragas nas videiras

Há uma pequena pousada de charme, montada dentro de um casarão colonial de 1850, com apenas 7 quartos, super exclusiva. Tem também um restaurante e um wine bar de onde se vê a sala da guarda. A Viña Casa Silva fica ao lado da Santa Helena e é integrada a um haras.

A sala da guarda, vista diretamente do winebar
A sala da guarda, vista diretamente do winebar

 

Casa Silva, super exclusiva
Nosso quarto no hotel Boutique Casa Silva

Viña Santa Rita

A Santa Rita, considerada uma das precursoras na fabricação do chile, fica no alto Jahuel a 45 km ao sul de Santiago, no Vale del Maipo. Tem uma estrutura muito completa, incluindo o Museu Andino e seu ótimo restaurante Doña Paula. O Hotel Casa Real também está lá, instalado num antigo casarão colonial de 1880 e é um dos mais prestigiados hotéis do Chile, com apenas 16 quartos.

Hotel Casa Real na centenária Viña Santa Rita

Ao lado da casa está a capela, com arquitetura neogótica datada de 1885, construída para o casamento da filha do fundador Dom Domingo Fernandez. Seu interior deslumbrante já foi restaurado pelos mesmos restauradores que cuidaram da capela Sistina em Roma. Incrível, né?

Chile-Capela-Santa-Rita-Jardim

Restauradores da Capela Sistina do Vaticano passaram por aqui.
Restauradores da Capela Sistina do Vaticano passaram por aqui.

Eles servem harmonizações o tempo inteiro, acompanhado de uma taça de um dos vinhos da sua linha que inclui o Casa Real, Floresta, Triple C, Pehuén, Medalla Real e o Reserva 120.

Hotel Casa Real
Hotel Casa Real

Viña Altair

Esta viña fica localizada no alto do Cachapoal, a 100 km do sul de Santiago aos pés da cordilheira dos andes. Geograficamente privilegiada, a Altair possui um microclima particular com noites geladas e dias ensolarados que permite uma variação térmica de até 20 graus célsius. Esta oscilação natural de temperatura é que propicia a complexidade aromática e a rara acidez natural das vinãs do Chile.

Altair, aos pés da cordilheira.
Altair, aos pés da cordilheira.

A Vinã Altair fabrica apenas 2 vinhos: Altair e Sideral. Ambos utilizam “assemblage”, um blend de uvas tendo sempre como base a carbenet sauvignon. Cada hectare da vinícola é vinificado separadamente para manter as características de cada casta de uvas.

Altair e Sideral, os dois únicos rótulos deste vinhedo
Altair e Sideral, os dois rótulos deste vinhedo

Viña Almaviva

Uma das mais sofisticadas viñas da Rota do Vinho no Chile é a Almaviva, que é uma joint-venture entre a francesa Baron Phillipe de Rotschild e a Concha y Toro, a maior exportadora de vinhos do mundo.

Alma Viva, sempre um grande encontro
Alma Viva, sempre um grande encontro

Almaviva é o feliz resultado do encontro de duas culturas, onde chile ofereceu os recursos naturais e a França contribui com seu savoir-faire, sua experiência e sua tradição. O resultado é um fabuloso vinho, marcante, de sabor de frutas vermelhas e com finas notas de tanino do carvalho francês. Composto por um blend com predominância da carbenet sauvignon. Alma Viva, um grande encontro! <3

Sabia que o nome Almaviva vem do clássico da literatura francesa “The mariage of fígaro” pelo Conde Almaviva. A logo vem do Chile, um simbolismo dos mapuches.

Da uva se faz o vinho, esta bebida que tanto nos fascina e embebeda!
Da uva se faz o vinho, esta bebida que tanto nos fascina e embebeda!

Há outras casas muito boas nesta região como a Casa Lapostolle, Viña Montes e Viu Manent, mas que ficam para um próximo post.

Gostaram do artigo sobre a Rota do vinho no Chile? Se tiver qualquer duvida, deixe um comentário aqui.

Obrigada pela visita, volte sempre!

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