Aqui está a historia de uma casa que foi feita de cacos para ser transformada em flor, a Casa da Flor. Era esse o sonho que o senhor Gabriel passou décadas esculpindo. Uma obra única, fruto do seu esforço e determinação.

A Casa, que foi construída com restos de construções, pedaços de azulejos, búzios e cacos de vidro, é hoje patrimônio cultural do estado do Rio de Janeiro e está em processo de tombamento pelo Iphan. Uma arte tão linda que chega a ser comparada com os muros do Park Güell, de Antônio Gaudí, em Barcelona.

A casa fica localizada em São Pedro da Aldeia, na região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro. Está aberta ao público e é zelada pelo sobrinho de Gabriel, o sr. Valdevir Soares dos Santos, que conta a história do tio com carinho, de quem tive o privilégio de ouvi-la diretamente.

A Casa da Flor

A Casa da Flor foi idealizada após um sonho que Gabriel teve em 1912. Ele levou nada menos que 62 anos para concluí-lo, ou melhor, esculpi-lo. Gabriel passou a vida recolhendo tudo o que encontrava pela frente para adornar sua casa. Ele mesmo dizia “Uma casa feita de caco que será transformada em flor”. Juntava “coisinhas de nada”. Qualquer coisa servia, desde cacos de louça, de vidro, de ladrilhos. Tudo o que não tinha serventia para os outros, era transformado pelas mãos do artista em mosaicos e esculturas. Gabriel pouco estudou, mas sozinho construiu uma arte que hoje é reconhecida como “barroco intuitivo”.

Gabriel Joaquim dos Santos

Gabriel Joaquim dos Santos (1892-1986) era filho de uma índia e de um ex-escravo africano. Desde criança tinha inclinação para a arte. Foi um homem pobre, com vida muito simples. Trabalhou nas salinas de São Pedro d’Aldeia e se alfabetizou apenas com 36 anos.

A história da casa

Em 1912 Gabriel começou a construção de uma casa pequena próxima da sua família. Foi construída de pau-a-pique, com pé-direito baixo e chão de pedra. Havia apenas três cômodos: uma sala, um quarto e um depósito onde ele guardava algumas quinquilharias. Seu sonho era adorná-la com arte, mas não sabia bem como fazer isso sem recursos. Foi então que decidiu garimpar lixo e procurar cacos de cerâmica, ladrilhos, tampinhas, pedrinhas e correntes. Todo e qualquer objeto considerado imprestável servia pra ele. Foi assim que ele começou a sua bricolagem. Sabiamente, ele comentava que faria uma casa “do nada”.

Lentamente, à medida que ia conseguindo o material, foi erguendo sua casa. Assim o sr Gabriel passou mais da metade da vida… A veneração dele pela construção da casa era tão grande que muitos parentes e vizinhos começaram a olhá-lo com estranheza. Chegaram a considerá-lo louco… Mas ele dizia ao sobrinho, que hoje zela pela casa, que ela ficaria na história. Dizia que “eu sonho para fazer e faço! ”

Viveu sozinho para fazer valer a sua grande criatividade. Morreu em 1986, com 93 anos, e graças a Deus, teve seu sonho realizado.

Patrimônio Cultural

Um ano depois da morte do Sr. Gabriel a Casa da Flor foi tombada como patrimônio cultural fluminense. Considerada como uma obra-prima da arquitetura espontânea, também foi aprovada por unanimidade para a inscrição no Livro do Tombo de Belas Artes pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A vizinhança, que outrora o achava louco, agora criou a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, para preservação e divulgação da casa para que seja preservada a arte do sr Gabriel.

Como chegar na Casa da Flor

A Casa da Flor fica na Estr. dos Passageiros, 232 no Parque Estoril São Pedro da Aldeia – RJ, 28940-000

Ali pertinho fica a Pousada Enseada das Garças, um lugar imperdivel.

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Obrigada pela visita, volte sempre!

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